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terça-feira, 22 de novembro de 2011

O último momento de sua vida

Os fãs de música agradecem: não precisamos mais implorar para que o Brasil seja incluído nas turnês das grandes bandas estrangeiras. Tudo acontece com o tempo, atualmente, e até bandas que estavam paradas e voltaram recentemente estão passando por aqui, como foi o caso do System of a Down, do Rage Against the Machine e deve ser o do Black Sabbath em 2012.

Com isso, muitos fãs novos estão se formando e os velhos fãs estão cada vez mais fãs. Afinal, quem esperaria, há alguns anos atrás, ver shows de Ozzy Osbourne, AC/DC, Kiss e Metallica em um intervalo de 3 anos? Não sei em qual grupo me enquadro, mas depois de uns cinco shows que fui, achei que poderia escrever um “guia” de como se portar em um show (não só de rock, talvez). Realmente escrevi, mas hoje, mais experiente, há muito a se acrescentar. Então, vamos ao que interessa.

O show começa na preparação e na informação. Faça questão de saber – e não esquecer nunca – quando será o show e quando se iniciam as vendas de ingresso (e torça para não acontecer como com o Lollapalooza Brasil: divulgação do lineup, preços e venda de ingressos tudo na mesma semana). Poupe seu dinheiro e, se o show for muito concorrido, prepare-se para ficar algumas horas na frente do computador em sites de venda de ingressos, como a Tickets 4 Fun e o Ingresso.com. Se o show não for tão concorrido assim, parabéns, mas não deixe para a última hora para evitar imprevistos.

Com os ingressos na mão, não faz mais que obrigação conhecer muito bem a banda, certo? Procure decorar letras, melodias, solos, sussurros, respirações e tudo que for possível de ser decorado nas músicas. Evite consultar possíveis setlists (se for Metallica, Pearl Jam ou Dream Theater, pode, porque os sets são sempre diferentes!) ou ver vídeos das músicas possíveis de serem tocadas. Nada se compara à emoção da surpresa, de ver tudo ao vivo, na hora.

Chega o dia do show, finalmente! E agora? A fila é uma diversão a parte e vale à pena, caso você tenha tempo e vá com amigos (ir a shows sozinho é muito chato). Se não tiver tempo para ficar na fila, chegue pelo menos algum tempo depois do horário marcado para abertura dos portões do local do show. Assim você evita, quase que completamente, as filas, já que todo mundo já entrou.

 Ignore as condições climáticas do dia do show e dê preferência ao local do espetáculo. Se você escolheu assistir na pista, dificilmente passará frio durante o show e, se estiver de blusa, você esquentará mais que um forno em potência máxima. Ou seja, esteja o frio que estiver, proteja-se dele somente antes do show. Para a arquibancada e shows em lugares abertos (principalmente estádios) as coisas mudam, porque faz MUITO frio em épocas de frio. Então, tenha sempre uma blusa em mãos, nesse caso. Capa de chuva? Leve a sua de casa, mas não use durante o show. Quer uma prova? Veja o Foo Fighters tocando My Hero na chuva: clique aqui.

Se você for a um festival, tem duas opções: leve tudo ou não leve nada. Particularmente, é mais interessante o “levar nada” por motivo único: prioridade ao show. Aliás, não só em festivais, mas em qualquer show, leve somente o necessário: ingresso, identidade, carteirinha de estudante (se for meia entrada) e dinheiro para sobrevivência no local do evento. Celular? Câmera? Que nada, as melhores lembranças se guardam na memória (e câmera e celular apenas pesam)! No entanto, se você optar pelo levar tudo, não esqueça capa de chuva, protetor solar, comida (quando o evento permitir) e... câmera fotográfica. Afinal, se você já vai estar de mochila mesmo, então aproveite.

Entrei no local do show! O que eu faço? Se você tiver um lugar na arquibancada, sem problemas. Se for para a pista, escolha um lugar, sente-se e espere. Se precisar ir ao banheiro ou comprar comida, vá antes de se sentar, já que, a partir desse momento, você deve esperar o show começar, sentado! Isso mesmo, não se levante e não gaste suas energias em pé enquanto pode ficar sentado, mesmo se estiver na grade da pista. Ocupe todo o espaço que você conseguir – estique as pernas, braços, deite no chão, enfim... – já que cada centímetro de pista é valioso, ainda mais quando o show começa e esses centímetros livres se tornam raros e principalmente na grade, onde o empurra-empurra é (muito) grande.

Condições físicas e psicológicas são extremamente facultativas. A última coisa na qual você deve pensar em um show é em parar de pular, por dor nas pernas, ou parar de cantar, por dor de garganta e/ou ausência de voz. Aliás, conforme você ouve as músicas que gosta, tocadas por seus artistas favoritos, ali, pertinho de você, problemas físicos são automaticamente esquecidos. O que você não esquece são as músicas que tanto ouviu, principalmente depois que seu ingresso foi comprado, certo? Poucas sensações são comparáveis à de se ver o seu artista preferido ao vivo na sua frente. Então, agora é a hora. Para concluir, uma frase que seria suficiente para resumir todo o texto: liberte sua mente de todos os problemas e curta o momento do show como se fosse o último de sua vida.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A Festa do Limp Bizkit

O Brasil, como o seu próprio “slogan” diz, é um país sem fronteiras. Os brasileiros são muito diferentes entre si, mas mesmo assim, não nasceram para ficar separados uns dos outros. Não é a toa que estrangeiros que vêm para cá tendem a voltar. Afinal, se dizem quase sempre muito bem recebidos.

Fred Durst percebeu isso. Na segunda noite de shows do Limp Bizkit no Brasil, mais uma vez houve a contestada divisão de público: pista normal e pista premium (ou vip). Durst, logo nos primeiros momentos da apresentação, convidou os fãs da pista normal a entrarem na pista vip, o que não deu muito certo, já que a segurança do Via Funchal impediu a invasão quase em massa – alguns ficaram sem coragem de “pular” as grades.

O espaço reservado para a pista vip era muito grande, mas a quantidade de pessoas nela, nem tanto. Isso fez com que as rodas formadas em praticamente todas as músicas ficassem enormes e intensas. No entanto, independentemente de separações ou de espaços, o público se empolgou, e muito, com o Limp Bizkit no palco, impressionando Fred Durst e companhia, que, arrependidos, prometeram voltar logo para compensar todo o tempo que demoraram para visitar o Brasil.

Palheta de Wes Borland: muita sorte!
Cheguei ao Via Funchal às 21h, sendo que o show começaria às 22h. Na espera, um dos roadies da banda estava no palco sendo carinhosamente xavecado pelos fãs, que pediam palhetas. Num ato de pura sorte, ele errou um de seus lançamentos e a palheta caiu na minha frente. Então, aguardei a banda de abertura, que seria o La Raza, quando de repente o dono da palheta, Wes Borland, subiu ao palco depois de Introbra, para agitar e talvez surpreender a maioria dos fãs, que ainda esperava a abertura.

"Hot Dog" deu início à “Festa do Limp Bizkit”, como o próprio Fred Durst disse tantas vezes durante o show, seguida de Show me What You Got e Why Try, a única música do álbum Gold Cobra, o mais recente da banda, tocada em São Paulo. Talvez "Shotgun" e a faixa-título, "Gold Cobra", merecessem um lugar no setlist, mas não foi nada que chegou a estragar a performance da banda.

Com todos os grandes hits, como “My Generation”, “My Way”, “Re-Arranged”, “Break Stuff” sendo executados, o show pode ser resumido na frase “porrada atrás de porrada”, em ambos os sentidos possíveis: músicas pesadas seguidas de músicas pesadas e rodas quase que ininterruptas na pista. Se fosse possível resumir a apresentação em uma palavra (sem usar palavrões, é claro, pois seria mais fácil), poderíamos dizer “intensa”.

No entanto, é difícil usar apenas uma palavra, coisa que nem Fred Durst fez. Além de cantar, ele falou bastante e, inclusive, disse que os brasileiros são o melhor público para o qual a banda já tocou. Não é a primeira – talvez nem a última – vez que ouço isso de alguma banda. Edguy, Metallica, Dream Theater, Avenged Sevenfold e POD, entre outros, vieram mais de uma vez para o Brasil nos últimos anos, sempre repetindo o discurso de Durst.

O show seguia em frente, com o vocalista tido como um dos maiores “malas” do rock conduzindo o público como poucos, inclusive chegando muito perto às vezes. Aliás, Durst chamou um fã ao palco em certo momento e, em outra oportunidade, invadiu a pista vip e cumprimentou alguns fãs da pista normal.

A primeira parte do show foi encerrada com “Nookie”, uma das músicas que mais projetou o Limp Bizkit na cena musical do mundo, há 12 anos atrás. O bis começou com um descanso para o público e para banda: a versão de “Behind Blue Eyes”, do The Who, foi cantada em uníssono, o que impressionou ainda mais a banda. No entanto, o melhor ainda estava reservado para o final.

“Take a Look Around” deixou todo mundo doido. Sim, não há melhor expressão para descrever o que aconteceu durante a música presente na trilha sonora do filme Missão Impossível 2. Em um certo momento da música, todos os instrumentos praticamente param, e foi exatamente nessa hora que eu aproveitei e me abaixei para descansar pela primeira vez no show. Quando vi, todos estavam abaixados ao meu redor e assim foi, todo mundo no chão, no maior estilo “Spit it Out”, do Slipknot, e depois levantando com todas as forças para o final da música. Épico.

Depois, Faith, dedicada às garotas presentes no Via Funchal, veio acompanhada de um convite para que todas subissem ao palco. Aproximadamente 20 subiram (algumas já estavam lá, acompanhando o show do palco mesmo) e idolatraram o Limp Bizkit de perto, enquanto o “quebra-quebra”, que vinha desde “Hot Dog”, apenas com a parada em “Behind Blue Eyes”, continuava na pista. (Veja aqui um vídeo gravado por um fã no show)

Wes Borland (foto de @henriqueoli)
Para terminar, Fred Durst fez uma enquete e perguntou o que o povo queria ouvir. Na dúvida entre as duas mais pedidas, “Pollution” e “Counterfeit”, Wes tocou o riff de Pollution, mas nem todos pareciam saber direito do que se tratava. Fred, então, parou dizendo com todas as letras “you don’t know this shit” e Counterfeit foi executada em parte, antes de “Rollin’” fechar a noite.

Como já dito, muita intensidade e muita porrada, em ambos os sentidos, marcaram a segunda apresentação do Limp Bizkit no Brasil. Como o próprio Fred Durst disse, eles voltam logo, afinal foram muito bem recebidos pelo “país de todos”. Estamos esperando uma nova Festa do Limp Bizkit.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Dançando conforme a música

Nota: não uso as expressões "vexame", "zebra" e “azar do Celso Roth” neste texto.

Alguns dizem que é impossível dançar sem música. Dizem que é necessário ter alguma batida, algum ritmo, alguma sequência de notas musicais para que se possa balançar o esqueleto. Dizem, ainda, que existem regras para dançar, os chamados passos, e que quem não os executa com maestria é um dançarino ruim.

A dança do goleiro Kidiaba tem tudo para se popularizar, se tornar um viral, um símbolo do Mundial de Clubes da FIFA, mesmo que os africanos do Mazembe não terminem a competição como campeões. Podemos dizer que todos se lembram de que o símbolo da última Copa do Mundo de seleções, na África do Sul, foi a vuvuzela, independentemente de os Bafana Bafana ou qualquer outra seleção do continente ter sido campeã.

A torcida africana não parou por um minuto de dançar, pular, cantar e de tocar vuvuzelas, é claro. Já os muitos gaúchos presentes logo ficaram apáticos após o primeiro gol do Mazembe, marcado por Kabangu. E foi exatamente sem música e sem passos coordenados de música que o Internacional de Porto Alegre perdeu e foi eliminado do Mundial de Clubes da FIFA, antes da grande final.

Os gaúchos dançavam conforme a música dos africanos e, depois da (quase) correria em busca do empate, o passo final foi um chute certeiro de Kaluyituka, no canto do goleiro Renan. O placar no Estádio Mohamed Bin Zayed marcava 2x0, aos 40 minutos do segundo tempo, para a frustração da torcida colorada e, podemos dizer, alegria da torcida gremista.

Bjorn Kuipers, o árbitro húngaro, apitou o final do espetáculo nove minutos depois, aos 49. E, o time congolês, que já havia comemorado, e muito, a já surpreendente vitória por 1x0 contra o Pachuca, do México, manteve alegria e comemorou ainda mais. O goleiro Kidiaba repetiu a sua (já característica) dança – e foi acompanhado por um dirigente da equipe, enquanto os outros jogadores corriam pelo campo e dançavam em frente à torcida africana presente. Kaluyituka, autor do segundo gol, tirou sua chuteira direita e não parava de mostrá-la para as câmeras do mundo inteiro.

Mais do que jogadores com cabelos “diferentes”, os africanos do Mazembe provaram para o mundo (para a alegria da FIFA) que não é só de Europa e América do Sul que vive o Mundial de Clubes. Contrariando o que este blogueiro escreveu ontem e o que quase o mundo todo pensava, o time africano pode ser o primeiro campeão não europeu ou sul-americano do Mundial. Agora, o Mazembe aguarda o vencedor de Internazionale de Milão e Yeongnam, da Coreia do Sul.


Não havia música saindo por nenhum dos alto-falantes do estádio de Abu Dhabi, em momento algum da partida entre Internacional e Mazembe. Não houve também regras, ou passos certos. O que se viu nos Emirados Árabes Unidos foi apenas uma prova de que não é impossível dançar sem música e de que não é preciso ser um bom dançarino para ter uma dança famosa. O Internacional que o diga.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Feuer!

Fui ao Via Funchal nesta terça-feira, 30/11, na expectativa de ver duas coisas. Primeiro, o show dos malucos do Rammstein, obviamente. Em segundo lugar, eu queria ver fogo. O fogo que eles usam em seus shows, tão conhecidos por serem verdadeiros espetáculos pirotécnicos.

Criei uma expectativa enorme para ver os caras tocarem no Brasil quando assisti o DVD "Volkerball", mas senti uma certa insegurança, já que o Via Funchal é um lugar fechado. Pensei: "Esses caras vão só fazer um show, e pronto. Sem fogo." No entanto, para o bem da nação, eu me enganei em meus pensamentos e o Rammstein subiu ao palco munido de tudo o que usa em seus shows pela Europa.

O nome da banda foi entoado em incrível uníssono e altíssimo volume no refrão da primeira música, Rammlied (RAMM-STEIN!). Ouso dizer que não havia uma voz silenciada naquele momento e não havia um par de pernas estático no chão.

Muitos não entendiam uma palavra sequer das músicas cantadas em alemão, mas gritavam sem hesitar. "Sterben!", do refrão de Waidmanns Heil, é um exemplo. A música trouxe fogos de artifício e fumaça, muita fumaça - apenas uma prévia do que estava por vir.

Uma nuvem rapidamente tomou conta do Via Funchal, mas ninguém reclamou. Talvez estivesse um pouco difícil de se respirar, mas nada que tenha atrapalhado a diversão de todos nós, os fãs presentes. Fomos ainda mais ao delírio com a explosiva Feuer Frei, da trilha sonora do filme (não menos explosivo) Triplo X, que trouxe o tão desejado fogo à casa.

O único “descanso” para os fãs, foi durante a linda Frühling In Paris, que apresenta, em seu refrão, palavras da música “Non, je ne regrette rien”, da cantora francesa Edith Piaf. Foi uma recarga de baterias necessária, mas que não deixou ninguém se desanimar, até porque, na sequência, viria um dos momentos mais esperados da noite.

Mein Teil faz referência a um caso curioso e macabro de canibalismo ocorrido na Alemanha (clique aqui para saber mais, se tiver estômago forte - e não, não há imagens no link). Não por menos, o vocalista Till Lindemann se veste de açougueiro, com um avental sujo de sangue e um microfone com uma faca pendurada, enquanto o tecladista Flake é a vítima, literalmente assado num imenso caldeirão - mais fogo!

Flake, aliás, se mostrou um show à parte durante toda a apresentação da banda, dançando, correndo pelo palco e, obviamente, tocando seu teclado. Na música Haifisch, Flake subiu em um bote, que navegou por sobre o público, enquanto ele mesmo dava as direções e mostrava uma bandeira do Brasil, dada por um fã.

Os alemães, ótimos no palco, mostraram-se frios, e a primeira intervenção de Till com a plateia foi na histórica execução de Du Hast. "Más fuerte!", disse o vocalista, enquanto todos gritavam: "Du, Du Hast. Du Hast Mich", talvez até sem saber o que queriam dizer, novamente, mas sem se importar. A música foi marcada por mais fogo, e fogos de artifício passando por cima do público, por meio de uma corda pendurada no teto (nota do autor, que pulava feito um louco: sensacional!).

A polêmica Pussy merece um parágrafo à parte. A pornografia se aliou à empolgação e a preservativos inflados voando, caracterizando um momento único, digno de dizer "tirem as crianças da sala", quando o baterista Christopher Schneider subiu em sua cadeira empunhando um pênis de borracha, com fogos de artifício. No último refrão da música, uma chuva de papel picado encerrou o setlist do Rammstein antes do bis.

Sonne, Haifisch e Ich Will teoricamente terminariam o show, mas nós queríamos mais. Pelo menos mais uma música. "Te Quiero Puta!", "Te Quiero Puta!", era o coro. E o Rammstein voltou ao palco para um final inesquecível, cantando em espanhol. Till não teve muito trabalho em Te Quiero Puta, já que cantamos, e muito, durante a música inteira.

Pontualmente, à meia-noite, com letras em alemão, meio em inglês, meio em francês e até em espanhol, além de fogo - muito fogo - e fumaça - muita fumaça, o Rammstein deixou o palco, após se ajoelhar para o público paulistano, e dizer "muito obrigado, viva o Brasil!".

Seria o clichê dos clichês dizer que o Via Funchal pegou fogo, mas foi a mais pura verdade. E eu nem precisei entender o que os caras estavam falando...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Com a nobreza de um Sir

nota: foi extremamente difícil escrever esse texto, já que ainda não inventaram alguma palavra que possa descrever com precisão o que aconteceu no Morumbi no dia 22/11.

No topo do estádio do Morumbi, na última fileira da arquibancada laranja, a vista do público era perfeita, enxergava-se tudo e todos. Do palco, nem tanto, mas não menos sensacional e impressionante. Foi mais do que suficiente para enxergar aquele tiozinho de suspensórios de 68 anos, e tudo o que ele foi capaz de fazer.

“Roll up for the Mystery Tour!” Foi assim que Sir Paul McCartney começou a brincadeira em sua segunda noite de show em São Paulo (diferentemente da noite anterior e de Porto Alegre), para mais de 60 mil fãs, de todas as idades, como bem visto em inúmeras reportagens da TV nos últimos dias.

A Rede Globo, inclusive, transmitiu a primeira noite no domingo, pós-Fantástico, não sei com qual foco, ou mesmo se passaram o show na íntegra. Claro, não foi a mesma coisa do que assistir ao vivo, como testemunha ocular. Desta maneira, talvez seja pertinente dizer: foi um dos maiores dos shows de todos os tempos.

Paul tocou baixo, guitarra, violão, piano, bandolim e ukulele, em um setlist de 37 músicas, com clássicos de sua carreira solo, dos Wings e, obviamente, dos Beatles. Um espetáculo, no sentido mais literal da palavra, com quase três horas de duração.

O “tiozinho de suspensórios” simplesmente não parava no palco. Cantou, pulou e, acompanhado de uma “discreta“ cola, conversou, e muito, com os fãs, em um português bem claro, para o delírio de todos.

Melhor do que falar de cada música ou dizer o setlist completo é citar (até porque é impossível descrever) alguns grandes momentos, como o estádio tremendo em “All My Loving” ou a dança do baterista em “Dance Tonight”. Vale lembrar, também, os “enormes” momentos, como a dança de 60 mil pessoas em “Obladi Oblada” e as homenagens a John Lennon e George Harrison, com “Here Today” e “Something”, respectivamente.

Todos já sabiam o que vinha para o final, só não sabiam a ordem – com exceção daqueles que já haviam assistido à primeira noite na TV Globo.

Foram executadas, nessa ordem, “A Day in the Life/Give Peace A Chance”, “Let It Be”, “Live And Let Die” – um espetáculo à parte: se Paul subisse no palco, tocasse essa música e fosse embora, seria suficiente para deixar várias pessoas felizes por meses – e “Hey Jude”, uma das mais aguardadas da noite, com o famoso coro do final cantado não apenas em uníssono, mas por homens e mulheres em separado, como regeu Sir Paul McCartney.

Paul sai do palco e volta, carregando uma bandeira brasileira, para o primeiro bis, com Day Tripper, Lady Madonna e Get Back. Muitos já deixavam o Morumbi, pensando que o espetáculo havia terminado e não viram o segundo bis, com Yesterday, Helter Skelter (nota do autor: PQP!) e Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band/The End.

Os preços foram abusivos e a organização ao redor do estádio não foi a melhor, mas o que se viu no palco, compensou, pelo menos para cada pessoa presente no Morumbi nas noites dos dia 21 e 22 de novembro de 2010. Todos batiam palmas incessantemente, por aproximadamente três horas e Paul McCartney provou porque é mais do que “apenas” um dos maiores artistas de todo os tempos, apenas agradecendo, ao final de cada música como se fosse a última, com a nobreza de um Sir.

sábado, 23 de outubro de 2010

Quando a música e o esporte se encontram

Tudo começou em um feriado católico: dia 1º de novembro, o mundialmente conhecido “Dia de Todos os Santos”, “All Saints Day”, em inglês. O ano era 1966 e ainda faltavam quatro anos para a fusão das duas ligas que comandavam o futebol americano na época, a American Football League (AFL) e a National Football League (NFL).

Muitos anos antes disso, em 1896, uma música foi composta para ser e celebrar o All Saints Day, já citado feriado de todos os santos, e cinco anos mais tarde, a cidade de New Orleans viu um de seus heróis do jazz nascer: Louis Armstrong. A história da tal música se amarra com a de Louis em 1930, quando o cantor transformou o até então hino gospel “When the Saints Go Marching In” em uma lenda.

E já que a proposta do blog é falar sobre música e esporte, vamos juntar as duas coisas nesse post, então, justamente como a história fez.

Voltemos a 1966, quando tudo isso se cruzou. New Orleans era (ainda é) a cidade do jazz, casa de Louis Armstrong e buscava o seu lugar na liga profissional de futebol americano, que vinha se popularizando mais e mais com o passar dos anos e com a possibilidade de uma união entre as duas ligas que comandavam o esporte. O nome do time da cidade seria, portanto, uma questão de lógica.

Armstrong gravou When the Saints go Marching In e o anúncio da formação da equipe de futebol americano de New Orleans havia sido adiado em uma semana, para que fosse feito no All Saints Day. Aquele Dia de Todos os Santos ficou conhecido por algo a mais: em 1º de novembro de 1966, nascia o New Orleans Saints.

A cidade do Jazz, enfim, tinha o seu time no esporte mais popular dos Estados Unidos, mas os Saints eram apenas um time mediano. A equipe mal chegava nos 50% de aproveitamento durante as temporadas da já unificada NFL até 1987, ano da primeira chegada dos Saints aos playoffs.

 O New Orleans Saints era apenas mais um time na liga, alternando performances boas e ruins, com ênfase nas ruins. Até que, em 2005, a história da equipe mudou. A pré-temporada dos Saints começou com uma vitória sobre os Patriots fora de casa e duas derrotas em casa, no Superdome, para os Seahawks e para os Ravens.

A derrota para a equipe de Baltimore foi a última partida disputada no Superdome em 2005, já que dois dias após o jogo, o furacão Katrina passou por New Orleans, deixando milhares de desabrigados, mais de mil mortos, quase todos sem energia elétrica e condições de saneamento básico. A princípio, o estádio dos Saints foi usado como abrigo para 15 mil pessoas, número que subiu para 20 mil em um dia.

Em 31/8, as condições pioraram. Os arredores do Superdome estavam completamente inundados e, mesmo com a ordem de evacuação dada pelo governo, o número de pessoas no estádio aumentou para 25 mil. Após o caos e uma mega-operação que durou até o dia 4/9, todos os abrigados no Superdome foram evacuados e o estádio, interditado.

Os Saints mandaram seus jogos de maneira itinerante, em diferentes estádios, como o Alamodome em San Antonio e o Giants Stadium, de Nova York. Claramente afetado pelo Katrina, o time de New Orleans não foi bem e obteve 3 vitórias e 13 derrotas em 2005.

Um ano depois, com a cidade sendo lentamente reconstruída, a pré-temporada foi realizada toda fora de New Orleans, mas para o delírio da população local, todos os jogos em casa da temporada 2006 seriam no Superdome.

O resultado foi simplesmente incrível. Todas as partidas tiveram lotação máxima, sendo que a primeira, contra o Atlanta Falcons, bateu todos os recordes de audiência da ESPN no mundo até a época. Além das 70.003 pessoas presentes ao Superdome, mais de 10 milhões de espectadores assistiram ao jogo pela TV, que contou com apresentações de Green Day e U2. Além disso, os Saints chegaram à final da NFC pela primeira vez na história, perdendo para o Chicago Bears, há um jogo do Super Bowl.

A boa campanha alavancou a venda de ingressos para as temporadas 2007 e 2008 e o Superdome esteve praticamente lotado em todos os jogos, por dois anos. O fato mais curioso é que a cidade de New Orleans estava com aproximadamente 300 mil habitantes a menos do que antes do Katrina, mas o público no estádio só crescia. Se nas arquibancadas o resultado era ótimo, e nas ruas todos estavam torcendo pelos Saints, sempre ao som de When the Saints Go Marching In, tocado pelas inúmeras bandinhas de jazz de rua da cidade, em campo, o time não foi bem. No entanto, na temporada de 2008, uma “nova” esperança apareceu: o quarterback Drew Brees.

Mesmo com a campanha de 8 vitórias e 8 derrotas, Brees ficou apenas a 16 jardas de bater o recorde de Dan Marino de 5084 jardas conquistadas com passes em uma só temporada. O quarterback já estava em New Orleans desde 2006, mas despontou mesmo a partir de 2008. Em 2009, veio a consagração máxima, para Brees, para os Saints e para New Orleans.

O começo da temporada foi inacreditável: 13 vitórias e nenhuma derrota. Depois, três derrotas nos últimos jogos da temporada regular, mas a classificação para os playoffs veio, juntamente com a melhor campanha da NFC. Da mesma maneira que em 2006, os olhos do mundo estavam sobre os Saints.

Desta vez, a equipe foi além de onde tinha parado e derrotou Arizona Cardinals (45-14) e Minessota Vikings (31-28, na prorrogação) para chegar ao título da NFC e ao tão sonhado Super Bowl XLIV, que seria disputado contra os multicampeões, Indianapolis Colts.

O Sun Life Stadium, em Miami, foi o palco da partida, responsável pela maior audiência da história da televisão mundial. Conforme já dito, os olhos do mundo estavam sobre os Saints, o time ressurgido das cinzas, que uniu novamente uma cidade devastada por um furacão e provou que o esporte é uma excelente “terapia”.

No primeiro quarto, um massacre dos Colts: 10-0. No segundo, dois field goals para os Saints: 10-6. Após o intervalo, no terceiro quarto, um genial onside kick (veja aqui) fez com que Peyton Manning não tivesse a bola em suas mãos. Com isso, Drew Brees lançou para Pierre Thomas marcar o primeiro touchdown dos Saints. Na sequência, os Colts anotaram mais sete pontos, com uma corrida de quatro jardas de Joseph Addai, e os Saints devolveram com outro field goal de Garrett Hartley: o placar marcava 17-16 para o time de Indianapolis.

No último quarto, Drew Brees comandou a continuação da reação dos Saints, se puder ser chamada assim, com um passe para touchdown de Jeremy Shockey e um passe para uma conversão de dois pontos de Lance Moore, que fez com que os Colts precisassem de um touchdown mais a conversão de um ponto para empatarem o jogo, ou de dois, para vencerem.

No entanto, Peyton Manning foi interceptado por Tracy Porter, que retornou 74 jardas para mais um touchdown, histórico (o vídeo diz mais do que as palavras). Placar definido no Sun Life Stadium: 31-17. Os Saints chegaram ao topo da NFL em 2009, sob os olhos do mundo inteiro.  Brees foi escolhido o MVP (jogador mais importante) do jogo e, para muitos, a equipe representou o ressurgimento de New Orleans após o Katrina.

Para comemorar, muito simples. Adivinhem só?

Novamente, When the Saints Go Marching In (veja um exemplo aqui). Apesar de tudo o que aconteceu, tanto na história do esporte, quanto na música e, principalmente, durante a reconstrução pós-Katrina, New Orleans e os Saints nunca deixaram suas raízes de lado. O mundo inteiro viu quando a cidade foi devastada e quando ressurgiu, no Super Bowl XLIV.

E tudo começou na cabeça de um maluco que deu, ao time de futebol, o nome de uma simples música...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

SWU: Último Dia, últimas impressões

Não visitei a Fazenda Maeda no domingo. Portanto, volto a falar por aqui apenas do terceiro e último dia do Festival SWU, começando pela mesma frase com a qual terminei o texto anterior: nunca crie um festival cujo nome rime com cu.

Foram filas enormes, preços abusivos, banheiros que não merecem comentários e lixo por todos os cantos. A sustentabilidade foi o último tema levado em conta, sendo que era o principal assunto do evento, com a realização de fóruns, inclusive.

Cornetadas a parte, o último dia estava frio e mais vazio do que o primeiro, provavelmente, pelo menos à primeira vista, mas estava bem intenso. Quando cheguei, o Gloria estava no palco e, quando entrei, o Cavalera Conspiracy já estava em seu momento – tamanha a demora nas filas de entrada.

Iggor e Max Cavalera mostraram o mesmo entrosamento que levou o Sepultura a ser o que é hoje: a maior banda brasileira conhecida no exterior. Por esse motivo, os irmãos não poderiam deixar de tocar as músicas da velha banda. Attitude, Refuse/Resist e, obviamente, Roots Bloody Roots, fizeram parte do set que levou o público ao delírio, juntamente com a presença de palco de Max.

Minutos depois, foi a vez do Avenged Sevenfold subir ao Palco Vento e deixar a plateia sem voz. Com a morte do baterista Jimmy “The Rev” Sullivan, Mike Portnoy, do Dream Theater foi convidado a completar o time na gravação do álbum Nightmare e na turnê de divulgação do mesmo. Aqui no Brasil, não foi diferente.

Ao contrário da primeira apresentação do A7X em terras brasileiras, M. Shadows e companhia estavam menos nervosos e não precisaram entrar no palco bêbados para aguentarem o tranco. Com um setlist de aproximadamente uma hora, a banda cativou, e muito, o público brasileiro e prometeu voltar, com mais tempo para mais músicas, em uma breve próxima vez.

Em seguida, era a vez do Incubus que, como o Avenged Sevenfold, vinha ao Brasil pela segunda vez e com menos nervosismo. Brandon Boyd parecia mais a vontade no palco, de maneira que até conversou com a plateia, como não havia feito em 2007. Mesmo assim, o Incubus agradou a gregos e troianos que não conheciam muito bem a banda e se cativaram com músicas como Oil and Water e Wish You Were Here.

Nota: ainda espero que o Incubus tocar Stellar e o Avenged Sevenfold toque Chapter Four, no Brasil.

De volta ao Palco Vento, talvez o maior público da última noite do SWU era o que aguardava o Queens of the Stone Age. A banda passou pelo Brasil no Rock in Rio de 2001 e ficou conhecida pela polêmica escolha do então baixista, Nick Olivieri, de fazer o show nu (Nick foi forçado a colocar uma calça e preso após a apresentação).

O enorme público presenciou o primeiro atraso do festival, que contava com a pontualidade como seu ponto forte, até então. A banda subiu ao palco quase uma hora depois do previsto, após uma explicação de “delay técnico”, vinda da produção, e vários gritos “SWU, vai tomar no cu”, vindos daqueles que esperavam o Queens.

Josh Homme fez bonito e agradeceu depois de cada música que tocou, desde Feel the Good Hit of Summer até A Song for the Dead. Valeu até a brincadeira: “aqui vai uma música que toooodos vocês conhecem”, disse Josh, antes do hit, No One Knows.

Com o atraso antes do show do Queens of the Stone Age, a organização do Festival fez questão de tentar agilizar as coisas, colocando os Pixies pra trabalhar logo após os Queens, sem tempo para o público respirar e trocar de palco. Dos Pixies, eu conhecia Here Comes Your Man, apenas, e essa foi a minha hora para respirar e sentir frio, fora da multidão fumante (possível de ser entendido em todos os sentidos).

Novamente, sem tempo para respirar, o Linkin Park já estava começando a sua apresentação, que, teoricamente, fecharia a parte rock’n’roll do SWU. O novo álbum da banda saiu há pouco tempo e muitos não conheciam muito bem as músicas, sendo que das 15 presentes no “ A Thousand Suns”, 13 foram tocadas na Fazenda Maeda.

Se for levado em conta o total de 25 músicas, 50% foram canções do novo álbum da banda. Certamente, boa parte do público esperava – e queria – ouvir as músicas dos dois primeiros lançamentos do Linkin Park: Hybrid Theory e Meteora. Resultado: várias pessoas saíram antes mesmo da apresentação da banda acabar.

Mike Shinoda parece estar mudado, diferente, mais calmo, mais cansado. Não é mais apenas o “vocalista de rap” do Linkin Park. Enquanto Chester Bennington, no entanto, continua enérgico e gritando, como sempre fez nas apresentações ao vivo da banda. One Step Closer valeu a noite, apesar das inúmeras ausências de músicas antigas no setlist escolhido para o Brasil.

Por fim, o DJ holandês Tiësto encerrava o SWU enquanto eu enfrentava a fila de carros, bem menor do que no primeiro dia de Festival, para deixar a Fazenda Maeda.

Considerações finais:
·         A sustentabilidade foi totalmente deixada de lado nos três dias de SWU. Havia lixo por todos os lados;
·         A preocupação com a economia de água foi tanta, que não havia a possibilidade de se lavar as mãos após a utilização dos banheiros, se é que podem ser chamados assim;
·         Algumas coisas como guarda-chuvas, canetas, escovas de dente e comprimidos para dor de cabeça foram barrados na revista de entrada, enquanto do lado de dentro da arena, cigarros, maconha e outras drogas eram consumidas livremente por algumas pessoas, sem fiscalização alguma.
·         A ideia de um grande festival é ótima para o Brasil e o local foi bem escolhido, apesar da dificuldade de acessos e filas. Muitas pessoas (ainda não há números oficiais) estavam presentes e afim de diversão, com música;
·         As atrações foram bem escolhidas e não houve repulsa a nenhuma das que eu vi tocar (vale citar como exemplo o Carlinhos Brown, no Rock in Rio de 2001). A arena era (bem) grande e dava pra fugir caso o artista em apresentação não agradasse.

O SWU foi uma ótima ideia, mas com má execução. A começar pelo nome: nunca crie um festival cujo nome rime com cu, a primeira impressão é a que fica.

domingo, 10 de outubro de 2010

SWU: Primeiro dia, primeiras impressões

Ontem, 9/10, foi o primeiro dia do festival de música e arte SWU (Starts With You) e tudo aquilo que se vê nos portais de notícias hoje são matérias a respeito de falta de organização e dos “imprevistos” ocorridos no show do Rage Against the Machine. Foram filas intermináveis, na entrada, na saída e durante o evento – nos restaurantes, banheiros e etc – além do principal tema do evento, a sustentabilidade, ter sido deixado de lado.

Embalagens de comida e bebida, como latas, garrafas, copos plásticos, guardanapos, bandejas e tudo mais, lotavam as poucas latas de lixo colocadas não tão estrategicamente assim na Fazenda Maeda, local onde foi realizado o evento. Com isso, as milhares de pessoas presentes jogavam o lixo onde estava mais perto, o chão.

Mas não é disso que eu quero falar. Cheguei de tarde e não acompanhei todos os shows, mas gostaria de falar de alguns em particular, coisa que eu não vi, ainda.

Ao pisar na arena da Fazenda Maeda, ouvi, ao longe, “Infectious Grooves”! E lá estavam no palco, liderados por Mike Muir, do Suicidal Tendencies, fazendo um som extremamente particular, técnico, pesado e com mais uma série de adjetivos. O destaque fica para Violent and Funky, com uma linha de baixo extremamente rápida e complicada, composta por Robert Trujillo, baixista da banda na época da música.

Quando os Mutantes entraram no palco, muitos aproveitaram para ir ao banheiro e comer. Confesso que fui um deles e não aproveitei muito o show de Sérgio Dias e sua trupe. Aliás, vale uma ressalva por conta do banheiro masculino: as cabines eram apenas figurativas, já que passada a parede construída, a área já poderia ser considerada como banheiro.

De volta à pista, estavam no palco os Los Hermanos, sem fazer shows periodicamente e escolhidos pelo público como banda nacional a tocar no SWU. Os último shows dos cariocas haviam sido na abertura das apresentações do Radiohead no Brasil, no ano passado. Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo pareciam empolgados com o público, agradecendo a todo momento e dizendo estar contentes com a oportunidade que lhes foi dada.

Nota: Durante a música “O Vencedor”, enquanto eu cantava e pulava com meus amigos, um cara, espantado com o nosso comportamento, pediu “vocês tem um doce aí?”. Não, não tínhamos.

Terminado o show dos Los Hermanos no palco Vento, o relógio marcava 20h50 em ponto, que era o horário previsto para o término do show no Lineup oficial do site do evento. A próxima banda, o Mars Volta, entraria no palco Água às 20h58 e foi exatamente o que aconteceu. A ideia dos dois palcos me pareceu estranha no começo, mas funcionou bem e os horários foram muito bem respeitados.

O guitarrista Omar Rodriguez-Lopez e o vocalista Cedric Bixler-Lavala lideraram a apresentação que durou cerca de uma hora e surpreendeu o público mais pela dificuldade das linhas tocadas e dos tempos complicados do que pela interação, em si. Ouvi um comentário que explica bem o show do Mars Volta: “eles tocam muito, mas parece que esqueceram que tinha um público pra eles aqui. Não falaram com a plateia em momento algum!”

Enfim, chegava o momento mais esperado da noite. O número de pessoas presentes no primeiro dia do SWU ainda não foi divulgado pela organização, mas, com certeza, mais de 90% do público presente estava lá por um único motivo: Rage Against the Machine. Talvez, tenha sido a única apresentação que não começou no horário, mas por conta de alguns minutos, apenas.

Zack de La Rocha, Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk subiram ao palco e começaram com uma porrada na orelha de quem estava presente: Testify iniciou o que seria um show histórico. Quando me dei conta, já estava na grade da pista normal, levado pelo fluxo de gente que tentava avançar na base do empurra-empurra.

Passados alguns minutos de show, o Rage Against foi forçado a parar, devido a alguns espertinhos invadindo a pista VIP, fato retratado pelos grandes portais, conforme dito antes, e que não será levado em conta aqui. Outro fato como esse, que também não será comentado, foi o “tilt” no sistema de som, que fez a banda parar por mais alguns minutos.

Vale falar, apenas, que o público gritou: “Ei, SWU, vai tomar no cu!”

Com hits como Know Your Enemy, Bullet in the Head, Guerrilla Radio e Sleep Now in the Fire, os americanos não parariam mais e, com isso, o público também não. Obviamente, o melhor ficou para o final. As duas músicas escolhidas para terminarem o show foram Freedom, seguida por Killing in the Name, sem dar tempo para ninguém respirar.

No Twitter, Tom Morello subiu ao topo dos TTBr por usar um boné do MST durante a apresentação. Ok, a banda apoia a causa e dedicou People of the Sun ao movimento, mas isso não foi maior do que o conjunto da obra. Um show perfeito, para quem esperava havia muito tempo, desde que a banda “encerrou” suas atividades, em 2000, e voltou no ano passado.

O congestionamento de carros na saída era evidente e previsível. Mesmo assim, muitos não ficaram satisfeitos com o que viram e com o que passaram, como esse que vos escreve. No entanto, o mais importante a se falar do primeiro dia do SWU foi a desorganização em alguns pontos, é claro, mas principalmente, o Rage Against the Machine.

Um amigo meu comentou, antes do show do Rage Against começar: “nunca faça um festival cujo nome rime com cu, em algum momento a galera vai rimar.” Eu completo o comentário, dizendo: só faça isso se tiver uma carta na manga, como o Rage Against the Machine. No final, críticas da imprensa a parte, quem estava lá nem vai se lembrar da rima.