Nota: não uso as expressões "vexame", "zebra" e “azar do Celso Roth” neste texto.
Alguns dizem que é impossível dançar sem música. Dizem que é necessário ter alguma batida, algum ritmo, alguma sequência de notas musicais para que se possa balançar o esqueleto. Dizem, ainda, que existem regras para dançar, os chamados passos, e que quem não os executa com maestria é um dançarino ruim.
A dança do goleiro Kidiaba tem tudo para se popularizar, se tornar um viral, um símbolo do Mundial de Clubes da FIFA, mesmo que os africanos do Mazembe não terminem a competição como campeões. Podemos dizer que todos se lembram de que o símbolo da última Copa do Mundo de seleções, na África do Sul, foi a vuvuzela, independentemente de os Bafana Bafana ou qualquer outra seleção do continente ter sido campeã.
A torcida africana não parou por um minuto de dançar, pular, cantar e de tocar vuvuzelas, é claro. Já os muitos gaúchos presentes logo ficaram apáticos após o primeiro gol do Mazembe, marcado por Kabangu. E foi exatamente sem música e sem passos coordenados de música que o Internacional de Porto Alegre perdeu e foi eliminado do Mundial de Clubes da FIFA, antes da grande final.
Os gaúchos dançavam conforme a música dos africanos e, depois da (quase) correria em busca do empate, o passo final foi um chute certeiro de Kaluyituka, no canto do goleiro Renan. O placar no Estádio Mohamed Bin Zayed marcava 2x0, aos 40 minutos do segundo tempo, para a frustração da torcida colorada e, podemos dizer, alegria da torcida gremista.
Bjorn Kuipers, o árbitro húngaro, apitou o final do espetáculo nove minutos depois, aos 49. E, o time congolês, que já havia comemorado, e muito, a já surpreendente vitória por 1x0 contra o Pachuca, do México, manteve alegria e comemorou ainda mais. O goleiro Kidiaba repetiu a sua (já característica) dança – e foi acompanhado por um dirigente da equipe, enquanto os outros jogadores corriam pelo campo e dançavam em frente à torcida africana presente. Kaluyituka, autor do segundo gol, tirou sua chuteira direita e não parava de mostrá-la para as câmeras do mundo inteiro.
Mais do que jogadores com cabelos “diferentes”, os africanos do Mazembe provaram para o mundo (para a alegria da FIFA) que não é só de Europa e América do Sul que vive o Mundial de Clubes. Contrariando o que este blogueiro escreveu ontem e o que quase o mundo todo pensava, o time africano pode ser o primeiro campeão não europeu ou sul-americano do Mundial. Agora, o Mazembe aguarda o vencedor de Internazionale de Milão e Yeongnam, da Coreia do Sul.
Não havia música saindo por nenhum dos alto-falantes do estádio de Abu Dhabi, em momento algum da partida entre Internacional e Mazembe. Não houve também regras, ou passos certos. O que se viu nos Emirados Árabes Unidos foi apenas uma prova de que não é impossível dançar sem música e de que não é preciso ser um bom dançarino para ter uma dança famosa. O Internacional que o diga.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Dançando conforme a música
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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Oito vezes campeões, ou não
Atenção, torcedor sãopaulino e flamenguista. Você, que se vangloria das conquistas de seu time, do hexacampeonato brasileiro, terá que tomar cuidado ao ver algum palmeirense ou santista na mesma roda de bar, de hoje em diante. Ou não.
A Confederação Brasileira de Futebol decidiu, hoje, no dia 13 de dezembro de 2010, unificar os títulos da Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa, competições nacionais realizadas de 1959 a 1970. Isso significa que o Fluminense ganhou dois títulos brasileiros em apenas um mês, o de 2010 e o de 1970. Ou não.
Rodrigo Paiva, o assessor de imprensa – e voz – da CBF pediu a todos que esperem. Seu chefe, o presidente da entidade – e do mundo – Ricardo Teixeira, está em viagem de negócios no momento, em Abu Dhabi, no Mundial de Clubes da FIFA. Afinal, a presença dele é imprescindível para o bom andamento do torneio nos Emirados Árabes Unidos.
Aliás, o Mundial só vale a partir de 2000. Será que um dia os outros títulos serão reconhecidos? Vale lembrar que, desde que a FIFA começou a reconhecer os títulos mundiais dos clubes, colocando todos os continentes na disputa, o campeão sempre foi (e dificilmente não será) um europeu ou um sul-americano.
Agora, só precisamos ter um pouco mais de paciência.Tudo depende do sinal de positivo, do “Ok” de Ricardo Teixeira. Basta ele voltar ao Brasil, ou fazer uma ligação para Rodrigo Paiva, dizendo “manda bala”, para que Santos e Palmeiras se tornem oito vezes campeões brasileiros. Ou não.
Imagine, por exemplo, um pai explicando a seu filho, que Pelé jamais foi campeão brasileiro, sendo que o Santos “conquistou” o Brasil seis vezes. Com razão, as torcidas de Santos e Palmeiras fazem a festa. Sem razão, as outras torcidas reclamam. Qual o problema de títulos conquistados em campo serem reconhecidos?
Aparentemente, tudo normal, já que não havia Superior Tribunal de Justiça Desportiva na época. Talvez o problema seja só o tempo. Afinal, demorou 40 anos para que a CBF olhasse para trás e visse que o futebol nacional já existia antes de 1971.
Acho que já éramos tricampeões do mundo em 1970. Ou não?
A Confederação Brasileira de Futebol decidiu, hoje, no dia 13 de dezembro de 2010, unificar os títulos da Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa, competições nacionais realizadas de 1959 a 1970. Isso significa que o Fluminense ganhou dois títulos brasileiros em apenas um mês, o de 2010 e o de 1970. Ou não.
Rodrigo Paiva, o assessor de imprensa – e voz – da CBF pediu a todos que esperem. Seu chefe, o presidente da entidade – e do mundo – Ricardo Teixeira, está em viagem de negócios no momento, em Abu Dhabi, no Mundial de Clubes da FIFA. Afinal, a presença dele é imprescindível para o bom andamento do torneio nos Emirados Árabes Unidos.
Aliás, o Mundial só vale a partir de 2000. Será que um dia os outros títulos serão reconhecidos? Vale lembrar que, desde que a FIFA começou a reconhecer os títulos mundiais dos clubes, colocando todos os continentes na disputa, o campeão sempre foi (e dificilmente não será) um europeu ou um sul-americano.
Agora, só precisamos ter um pouco mais de paciência.Tudo depende do sinal de positivo, do “Ok” de Ricardo Teixeira. Basta ele voltar ao Brasil, ou fazer uma ligação para Rodrigo Paiva, dizendo “manda bala”, para que Santos e Palmeiras se tornem oito vezes campeões brasileiros. Ou não.
Imagine, por exemplo, um pai explicando a seu filho, que Pelé jamais foi campeão brasileiro, sendo que o Santos “conquistou” o Brasil seis vezes. Com razão, as torcidas de Santos e Palmeiras fazem a festa. Sem razão, as outras torcidas reclamam. Qual o problema de títulos conquistados em campo serem reconhecidos?
Aparentemente, tudo normal, já que não havia Superior Tribunal de Justiça Desportiva na época. Talvez o problema seja só o tempo. Afinal, demorou 40 anos para que a CBF olhasse para trás e visse que o futebol nacional já existia antes de 1971.
Acho que já éramos tricampeões do mundo em 1970. Ou não?
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Feuer!
Fui ao Via Funchal nesta terça-feira, 30/11, na expectativa de ver duas coisas. Primeiro, o show dos malucos do Rammstein, obviamente. Em segundo lugar, eu queria ver fogo. O fogo que eles usam em seus shows, tão conhecidos por serem verdadeiros espetáculos pirotécnicos.
Criei uma expectativa enorme para ver os caras tocarem no Brasil quando assisti o DVD "Volkerball", mas senti uma certa insegurança, já que o Via Funchal é um lugar fechado. Pensei: "Esses caras vão só fazer um show, e pronto. Sem fogo." No entanto, para o bem da nação, eu me enganei em meus pensamentos e o Rammstein subiu ao palco munido de tudo o que usa em seus shows pela Europa.
O nome da banda foi entoado em incrível uníssono e altíssimo volume no refrão da primeira música, Rammlied (RAMM-STEIN!). Ouso dizer que não havia uma voz silenciada naquele momento e não havia um par de pernas estático no chão.
Muitos não entendiam uma palavra sequer das músicas cantadas em alemão, mas gritavam sem hesitar. "Sterben!", do refrão de Waidmanns Heil, é um exemplo. A música trouxe fogos de artifício e fumaça, muita fumaça - apenas uma prévia do que estava por vir.
Uma nuvem rapidamente tomou conta do Via Funchal, mas ninguém reclamou. Talvez estivesse um pouco difícil de se respirar, mas nada que tenha atrapalhado a diversão de todos nós, os fãs presentes. Fomos ainda mais ao delírio com a explosiva Feuer Frei, da trilha sonora do filme (não menos explosivo) Triplo X, que trouxe o tão desejado fogo à casa.
O único “descanso” para os fãs, foi durante a linda Frühling In Paris, que apresenta, em seu refrão, palavras da música “Non, je ne regrette rien”, da cantora francesa Edith Piaf. Foi uma recarga de baterias necessária, mas que não deixou ninguém se desanimar, até porque, na sequência, viria um dos momentos mais esperados da noite.
Mein Teil faz referência a um caso curioso e macabro de canibalismo ocorrido na Alemanha (clique aqui para saber mais, se tiver estômago forte - e não, não há imagens no link). Não por menos, o vocalista Till Lindemann se veste de açougueiro, com um avental sujo de sangue e um microfone com uma faca pendurada, enquanto o tecladista Flake é a vítima, literalmente assado num imenso caldeirão - mais fogo!
Flake, aliás, se mostrou um show à parte durante toda a apresentação da banda, dançando, correndo pelo palco e, obviamente, tocando seu teclado. Na música Haifisch, Flake subiu em um bote, que navegou por sobre o público, enquanto ele mesmo dava as direções e mostrava uma bandeira do Brasil, dada por um fã.
Os alemães, ótimos no palco, mostraram-se frios, e a primeira intervenção de Till com a plateia foi na histórica execução de Du Hast. "Más fuerte!", disse o vocalista, enquanto todos gritavam: "Du, Du Hast. Du Hast Mich", talvez até sem saber o que queriam dizer, novamente, mas sem se importar. A música foi marcada por mais fogo, e fogos de artifício passando por cima do público, por meio de uma corda pendurada no teto (nota do autor, que pulava feito um louco: sensacional!).
A polêmica Pussy merece um parágrafo à parte. A pornografia se aliou à empolgação e a preservativos inflados voando, caracterizando um momento único, digno de dizer "tirem as crianças da sala", quando o baterista Christopher Schneider subiu em sua cadeira empunhando um pênis de borracha, com fogos de artifício. No último refrão da música, uma chuva de papel picado encerrou o setlist do Rammstein antes do bis.
Sonne, Haifisch e Ich Will teoricamente terminariam o show, mas nós queríamos mais. Pelo menos mais uma música. "Te Quiero Puta!", "Te Quiero Puta!", era o coro. E o Rammstein voltou ao palco para um final inesquecível, cantando em espanhol. Till não teve muito trabalho em Te Quiero Puta, já que cantamos, e muito, durante a música inteira.
Pontualmente, à meia-noite, com letras em alemão, meio em inglês, meio em francês e até em espanhol, além de fogo - muito fogo - e fumaça - muita fumaça, o Rammstein deixou o palco, após se ajoelhar para o público paulistano, e dizer "muito obrigado, viva o Brasil!".
Seria o clichê dos clichês dizer que o Via Funchal pegou fogo, mas foi a mais pura verdade. E eu nem precisei entender o que os caras estavam falando...
Criei uma expectativa enorme para ver os caras tocarem no Brasil quando assisti o DVD "Volkerball", mas senti uma certa insegurança, já que o Via Funchal é um lugar fechado. Pensei: "Esses caras vão só fazer um show, e pronto. Sem fogo." No entanto, para o bem da nação, eu me enganei em meus pensamentos e o Rammstein subiu ao palco munido de tudo o que usa em seus shows pela Europa.
O nome da banda foi entoado em incrível uníssono e altíssimo volume no refrão da primeira música, Rammlied (RAMM-STEIN!). Ouso dizer que não havia uma voz silenciada naquele momento e não havia um par de pernas estático no chão.
Muitos não entendiam uma palavra sequer das músicas cantadas em alemão, mas gritavam sem hesitar. "Sterben!", do refrão de Waidmanns Heil, é um exemplo. A música trouxe fogos de artifício e fumaça, muita fumaça - apenas uma prévia do que estava por vir.
Uma nuvem rapidamente tomou conta do Via Funchal, mas ninguém reclamou. Talvez estivesse um pouco difícil de se respirar, mas nada que tenha atrapalhado a diversão de todos nós, os fãs presentes. Fomos ainda mais ao delírio com a explosiva Feuer Frei, da trilha sonora do filme (não menos explosivo) Triplo X, que trouxe o tão desejado fogo à casa.
O único “descanso” para os fãs, foi durante a linda Frühling In Paris, que apresenta, em seu refrão, palavras da música “Non, je ne regrette rien”, da cantora francesa Edith Piaf. Foi uma recarga de baterias necessária, mas que não deixou ninguém se desanimar, até porque, na sequência, viria um dos momentos mais esperados da noite.
Mein Teil faz referência a um caso curioso e macabro de canibalismo ocorrido na Alemanha (clique aqui para saber mais, se tiver estômago forte - e não, não há imagens no link). Não por menos, o vocalista Till Lindemann se veste de açougueiro, com um avental sujo de sangue e um microfone com uma faca pendurada, enquanto o tecladista Flake é a vítima, literalmente assado num imenso caldeirão - mais fogo!
Flake, aliás, se mostrou um show à parte durante toda a apresentação da banda, dançando, correndo pelo palco e, obviamente, tocando seu teclado. Na música Haifisch, Flake subiu em um bote, que navegou por sobre o público, enquanto ele mesmo dava as direções e mostrava uma bandeira do Brasil, dada por um fã.
Os alemães, ótimos no palco, mostraram-se frios, e a primeira intervenção de Till com a plateia foi na histórica execução de Du Hast. "Más fuerte!", disse o vocalista, enquanto todos gritavam: "Du, Du Hast. Du Hast Mich", talvez até sem saber o que queriam dizer, novamente, mas sem se importar. A música foi marcada por mais fogo, e fogos de artifício passando por cima do público, por meio de uma corda pendurada no teto (nota do autor, que pulava feito um louco: sensacional!).
A polêmica Pussy merece um parágrafo à parte. A pornografia se aliou à empolgação e a preservativos inflados voando, caracterizando um momento único, digno de dizer "tirem as crianças da sala", quando o baterista Christopher Schneider subiu em sua cadeira empunhando um pênis de borracha, com fogos de artifício. No último refrão da música, uma chuva de papel picado encerrou o setlist do Rammstein antes do bis.
Sonne, Haifisch e Ich Will teoricamente terminariam o show, mas nós queríamos mais. Pelo menos mais uma música. "Te Quiero Puta!", "Te Quiero Puta!", era o coro. E o Rammstein voltou ao palco para um final inesquecível, cantando em espanhol. Till não teve muito trabalho em Te Quiero Puta, já que cantamos, e muito, durante a música inteira.
Pontualmente, à meia-noite, com letras em alemão, meio em inglês, meio em francês e até em espanhol, além de fogo - muito fogo - e fumaça - muita fumaça, o Rammstein deixou o palco, após se ajoelhar para o público paulistano, e dizer "muito obrigado, viva o Brasil!".
Seria o clichê dos clichês dizer que o Via Funchal pegou fogo, mas foi a mais pura verdade. E eu nem precisei entender o que os caras estavam falando...
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Com a nobreza de um Sir
nota: foi extremamente difícil escrever esse texto, já que ainda não inventaram alguma palavra que possa descrever com precisão o que aconteceu no Morumbi no dia 22/11.
No topo do estádio do Morumbi, na última fileira da arquibancada laranja, a vista do público era perfeita, enxergava-se tudo e todos. Do palco, nem tanto, mas não menos sensacional e impressionante. Foi mais do que suficiente para enxergar aquele tiozinho de suspensórios de 68 anos, e tudo o que ele foi capaz de fazer.
“Roll up for the Mystery Tour!” Foi assim que Sir Paul McCartney começou a brincadeira em sua segunda noite de show em São Paulo (diferentemente da noite anterior e de Porto Alegre), para mais de 60 mil fãs, de todas as idades, como bem visto em inúmeras reportagens da TV nos últimos dias.
A Rede Globo, inclusive, transmitiu a primeira noite no domingo, pós-Fantástico, não sei com qual foco, ou mesmo se passaram o show na íntegra. Claro, não foi a mesma coisa do que assistir ao vivo, como testemunha ocular. Desta maneira, talvez seja pertinente dizer: foi um dos maiores dos shows de todos os tempos.
Paul tocou baixo, guitarra, violão, piano, bandolim e ukulele, em um setlist de 37 músicas, com clássicos de sua carreira solo, dos Wings e, obviamente, dos Beatles. Um espetáculo, no sentido mais literal da palavra, com quase três horas de duração.
O “tiozinho de suspensórios” simplesmente não parava no palco. Cantou, pulou e, acompanhado de uma “discreta“ cola, conversou, e muito, com os fãs, em um português bem claro, para o delírio de todos.
Melhor do que falar de cada música ou dizer o setlist completo é citar (até porque é impossível descrever) alguns grandes momentos, como o estádio tremendo em “All My Loving” ou a dança do baterista em “Dance Tonight”. Vale lembrar, também, os “enormes” momentos, como a dança de 60 mil pessoas em “Obladi Oblada” e as homenagens a John Lennon e George Harrison, com “Here Today” e “Something”, respectivamente.
Todos já sabiam o que vinha para o final, só não sabiam a ordem – com exceção daqueles que já haviam assistido à primeira noite na TV Globo.
Foram executadas, nessa ordem, “A Day in the Life/Give Peace A Chance”, “Let It Be”, “Live And Let Die” – um espetáculo à parte: se Paul subisse no palco, tocasse essa música e fosse embora, seria suficiente para deixar várias pessoas felizes por meses – e “Hey Jude”, uma das mais aguardadas da noite, com o famoso coro do final cantado não apenas em uníssono, mas por homens e mulheres em separado, como regeu Sir Paul McCartney.
Paul sai do palco e volta, carregando uma bandeira brasileira, para o primeiro bis, com Day Tripper, Lady Madonna e Get Back. Muitos já deixavam o Morumbi, pensando que o espetáculo havia terminado e não viram o segundo bis, com Yesterday, Helter Skelter (nota do autor: PQP!) e Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band/The End.
Os preços foram abusivos e a organização ao redor do estádio não foi a melhor, mas o que se viu no palco, compensou, pelo menos para cada pessoa presente no Morumbi nas noites dos dia 21 e 22 de novembro de 2010. Todos batiam palmas incessantemente, por aproximadamente três horas e Paul McCartney provou porque é mais do que “apenas” um dos maiores artistas de todo os tempos, apenas agradecendo, ao final de cada música como se fosse a última, com a nobreza de um Sir.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Vencendo de virada, na vida e na quadra
por Luiz Henrique Ferreira e Gabriel Nunes, como parte da reportagem "Volta por Cima", para a Universidade Anhembi Morumbi
Aos 17 anos, Rogério Camargo foi vítima de um acidente de moto e teve a perna esquerda amputada. Hoje, ele tem 34 anos, trabalha em uma loja de automóveis, é casado, tem uma filha e um filho e ainda luta contra o preconceito, desde o acidente.
O que ninguém sabe quando vai à loja onde Rogério trabalha é que ele já disputou duas finais parapan-americanas de voleibol sentado e foi campeão uma vez.
Com a ajuda do esporte, Rogério se colocou de volta na sociedade, mas ainda tem que trabalhar para se sustentar. Diferentemente dos jogadores seleção da masculina eneacampeã mundial, que são bancados pelos clubes onde atuam, os paraatletas não recebem para jogar, treinam e jogam por prazer, mas gostariam de ter mais visibilidade, a ponto de viver pelo esporte.
Rogério joga pelo Cruz de Malta, pelo qual já foi tricampeão brasileiro, tetracampeão paulista e bicampeão do torneio Sérgio Del Grande – organizado pelo Comitê Paraolímpico Brasileiro. Para ele, “o vôlei é maior que o trabalho. É uma válvula de escape, uma terapia, uma volta para a sociedade, uma superação. Aqui, eu vejo os meus amigos, esqueço os problemas da vida e almejo competições.”
Com a ajuda do esporte, Rogério diz ter uma nova família nos treinos, além da que tem em casa. “Quando nos juntamos eu, o Wellington, o Renato, o Deivisson e o Giovani, somos invencíveis. Ninguém ganha da gente.” Não é por menos, os cinco fizeram parte do elenco campeão parapan-americano de 2007.
De volta à cidadania
Wellington Platini, de 25 anos, citado por Rogério, é outro exemplo. Hoje, é jogador do Cruz de Malta, da Seleção Brasileira de voleibol sentado e office boy em uma clínica médica. Um exemplo de garra, determinação, força e, acima de tudo, de superação de adversidades.
Aos 19 anos, o esporte de Wellington era o futebol, mas o destino proporcionou um capítulo triste e decisivo, que não permitiria mais que ele jogasse. “O acidente foi de moto. Eu tava passando num cruzamento, onde o ônibus estava tampando a visibilidade, o cara saiu do cruzamento e me pegou”, descreveu. O choque comprometeu as vias arteriais da perna direita dele, que teve de ser amputada.
O vôlei entrou na vida do jovem três meses após o acidente, por meio de um atleta que já praticava o voleibol sentado e o convidou a conhecer a modalidade, o início de um capítulo de recuperação na vida de Wellington.
“Eu tive que aprender a jogar voleibol e a minha dificuldade, no começo, foi tudo, toque, manchete, como qualquer outro esporte que você está aprendendo. Mas hoje, é o que eu mais gosto de fazer”, afirma o atleta, descrevendo o seu início na modalidade que pratica há cinco anos. Porém, ele aprendeu. E como aprendeu. Após um ano e meio jogando pela equipe Cruz de Malta, de São Paulo, foi convocado para a seleção brasileira júnior e hoje em dia é integrante da seleção principal do Brasil.
Graças ao voleibol, Wellington conhece mais de vinte países, disputou as paraolimpíadas de Pequim, em 2008 e foi campeão parapan-americano no Brasil, em 2007, derrotando os Estados Unidos na final, título que ele considera o momento inesquecível e mais marcante de sua carreira no esporte, pelo menos até agora.
“O esporte me trouxe de volta a cidadania. Mudou a minha vida completamente, a amizade, o comportamento, me fez dar mais valor à vida, aos amigos e à família. O esporte só proporciona coisas boas”, completou Wellington.
O esporte ainda não é profissional
São seis jogadores de cada lado, com rotação de posições a cada ponto conquistado. O jogo é em formato “melhor de cinco sets” e o princípio fundamental é muito simples: não deixar a bola cair na sua quadra, mas fazer com que ela caia na quadra do adversário. Tudo isso, com três toques apenas, de jogadores diferentes.
Com apenas algumas regras diferentes, como poder bloquear o saque, e altura da rede e tamanho da quadra menores, temos uma “nova modalidade”: o voleibol paraolímpico, ou vôlei sentado. A equipe masculina do Brasil foi campeã parapan-americana no Rio de Janeiro, em 2007, vencendo, de virada, os Estados Unidos na final.
No entanto, o esporte encontra dificuldades que a modalidade tradicional não enfrenta. As menores quantias de investimento, dificuldades no transporte dos atletas e a conciliação da prática do esporte com o trabalho de forma paralela são os fatores que, segundo Fernando Guimarães, técnico da equipe Cruz de Malta, de São Paulo, e irmão de José Roberto Guimarães, técnico da seleção brasileira feminina de vôlei, impedem o crescimento do esporte no Brasil.
“A coisa não tá profissional ainda”, diz Fernando, quando o assunto são as condições que regem a forma de organização das competições de voleibol sentado no País. As dificuldades apontadas por Guimarães fazem com que as competições sejam divididas em etapas, com os times chegando a realizar três jogos no mesmo dia. “A gente tem que fazer por etapas. Então, num sábado você faz dois, três jogos, pra poder otimizar o tempo, porque custa e as pessoas trabalham”, explica o treinador.
Aos 17 anos, Rogério Camargo foi vítima de um acidente de moto e teve a perna esquerda amputada. Hoje, ele tem 34 anos, trabalha em uma loja de automóveis, é casado, tem uma filha e um filho e ainda luta contra o preconceito, desde o acidente.
O que ninguém sabe quando vai à loja onde Rogério trabalha é que ele já disputou duas finais parapan-americanas de voleibol sentado e foi campeão uma vez.
Com a ajuda do esporte, Rogério se colocou de volta na sociedade, mas ainda tem que trabalhar para se sustentar. Diferentemente dos jogadores seleção da masculina eneacampeã mundial, que são bancados pelos clubes onde atuam, os paraatletas não recebem para jogar, treinam e jogam por prazer, mas gostariam de ter mais visibilidade, a ponto de viver pelo esporte.
Rogério joga pelo Cruz de Malta, pelo qual já foi tricampeão brasileiro, tetracampeão paulista e bicampeão do torneio Sérgio Del Grande – organizado pelo Comitê Paraolímpico Brasileiro. Para ele, “o vôlei é maior que o trabalho. É uma válvula de escape, uma terapia, uma volta para a sociedade, uma superação. Aqui, eu vejo os meus amigos, esqueço os problemas da vida e almejo competições.”
Com a ajuda do esporte, Rogério diz ter uma nova família nos treinos, além da que tem em casa. “Quando nos juntamos eu, o Wellington, o Renato, o Deivisson e o Giovani, somos invencíveis. Ninguém ganha da gente.” Não é por menos, os cinco fizeram parte do elenco campeão parapan-americano de 2007.
De volta à cidadania
Wellington Platini, de 25 anos, citado por Rogério, é outro exemplo. Hoje, é jogador do Cruz de Malta, da Seleção Brasileira de voleibol sentado e office boy em uma clínica médica. Um exemplo de garra, determinação, força e, acima de tudo, de superação de adversidades.
Aos 19 anos, o esporte de Wellington era o futebol, mas o destino proporcionou um capítulo triste e decisivo, que não permitiria mais que ele jogasse. “O acidente foi de moto. Eu tava passando num cruzamento, onde o ônibus estava tampando a visibilidade, o cara saiu do cruzamento e me pegou”, descreveu. O choque comprometeu as vias arteriais da perna direita dele, que teve de ser amputada.
O vôlei entrou na vida do jovem três meses após o acidente, por meio de um atleta que já praticava o voleibol sentado e o convidou a conhecer a modalidade, o início de um capítulo de recuperação na vida de Wellington.
“Eu tive que aprender a jogar voleibol e a minha dificuldade, no começo, foi tudo, toque, manchete, como qualquer outro esporte que você está aprendendo. Mas hoje, é o que eu mais gosto de fazer”, afirma o atleta, descrevendo o seu início na modalidade que pratica há cinco anos. Porém, ele aprendeu. E como aprendeu. Após um ano e meio jogando pela equipe Cruz de Malta, de São Paulo, foi convocado para a seleção brasileira júnior e hoje em dia é integrante da seleção principal do Brasil.
Graças ao voleibol, Wellington conhece mais de vinte países, disputou as paraolimpíadas de Pequim, em 2008 e foi campeão parapan-americano no Brasil, em 2007, derrotando os Estados Unidos na final, título que ele considera o momento inesquecível e mais marcante de sua carreira no esporte, pelo menos até agora.
“O esporte me trouxe de volta a cidadania. Mudou a minha vida completamente, a amizade, o comportamento, me fez dar mais valor à vida, aos amigos e à família. O esporte só proporciona coisas boas”, completou Wellington.
O esporte ainda não é profissional
São seis jogadores de cada lado, com rotação de posições a cada ponto conquistado. O jogo é em formato “melhor de cinco sets” e o princípio fundamental é muito simples: não deixar a bola cair na sua quadra, mas fazer com que ela caia na quadra do adversário. Tudo isso, com três toques apenas, de jogadores diferentes.
Com apenas algumas regras diferentes, como poder bloquear o saque, e altura da rede e tamanho da quadra menores, temos uma “nova modalidade”: o voleibol paraolímpico, ou vôlei sentado. A equipe masculina do Brasil foi campeã parapan-americana no Rio de Janeiro, em 2007, vencendo, de virada, os Estados Unidos na final.
No entanto, o esporte encontra dificuldades que a modalidade tradicional não enfrenta. As menores quantias de investimento, dificuldades no transporte dos atletas e a conciliação da prática do esporte com o trabalho de forma paralela são os fatores que, segundo Fernando Guimarães, técnico da equipe Cruz de Malta, de São Paulo, e irmão de José Roberto Guimarães, técnico da seleção brasileira feminina de vôlei, impedem o crescimento do esporte no Brasil.
“A coisa não tá profissional ainda”, diz Fernando, quando o assunto são as condições que regem a forma de organização das competições de voleibol sentado no País. As dificuldades apontadas por Guimarães fazem com que as competições sejam divididas em etapas, com os times chegando a realizar três jogos no mesmo dia. “A gente tem que fazer por etapas. Então, num sábado você faz dois, três jogos, pra poder otimizar o tempo, porque custa e as pessoas trabalham”, explica o treinador.
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