Mostrando postagens com marcador futebol. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador futebol. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Rugby: é assim que se pratica um esporte


O patriotismo não é o sentimento mais forte e característico do brasileiro. Sem citar antigos eventos políticos, como as Diretas Já e o Impeachment de Collor, é difícil ver o povo brasileiro fazer alguma coisa pela pátria em tempos que o “xingar muito no Twitter” resolve. Aliás, o orgulho de ser brasileiro existe, sim, em duas ocasiões: Copa do Mundo de futebol e Olimpíadas.

A torcida se empolga, fica em pé, canta o hino nacional e grita “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”. Os atletas olímpicos, em sua maioria, se esforçam bastante, mas alguns estão longe de chegarem a níveis competitivos para brigarem por medalhas. Enquanto os jogadores de futebol, salvo algumas exceções, mal sabem que as cores do uniforme – verde, amarelo, azul e branco – estão ali por fazerem parte da nossa bandeira e não do escudo da CBF.

O Brasil já deixou de ser um país conhecido pela magia de seu futebol e pela grande vocação para revelar jogador bom atrás de jogador bom. Em tempos que existia Ronaldinho, Robinho já dava suas primeiras pedaladas e Neymar já era um nome especulado pelo Real Madrid. O tempo passou e, hoje, Neymar é o grande nome e não vemos ninguém mais jovem dar pedaladas. Pelo contrário, contratamos estrangeiros bons de bola, repatriamos velhos jogadores (consagrados ou não) e fazemos com que o nosso futebol perca o seu futuro pouco a pouco.

Enquanto isso, outro esporte começa a dar os seus passos por aqui: o rugby. E talvez seja a hora de uma “reciclagem” mesmo. Estamos em tempo de Copa do Mundo (de rugby) e o esporte vai às alturas. Trata-se da terceira competição esportiva mais assistida no mundo. Não estamos classificados para as Olimpíadas de 2012 em Londres e, incrivelmente, nem do Rio de Janeiro em 2016, mesmo sendo o país sede, mas podemos abrir os olhos para o poder que o rugby tem e para o que ele é capaz de construir.

Esse comercial da Heineken sobre a Copa explica muito bem o que é o rugby: um esporte de tradição (usamos roupas típicas, na torcida, e dançamos, em campo), respeito (aos nossos irmãos, mesmo em uma colisão de duas toneladas, e ao árbitro, não importa o quanto ele apite) e patriotismo (respeitamos o hino adversário até quando ele próprio o assassina, cantando mal).

Por mais que não gostemos de acreditar, é uma total antítese do futebol. Algumas tradições estão morrendo, vítimas do chamado futebol moderno, e não há respeito ao árbitro e muito menos aos adversários. Mas, principalmente não há amor à camisa. Não há patriotismo. O jogador brasileiro é, atualmente, convocado para defender a CBF, e não a pátria. Clubes dificultam a liberação de alguns jogadores, meras peças de um jogo de xadrez, às seleções de seus países, como se o fato de cada um defender o seu país, o seu povo, a terra onde nasceu, não fosse importante.

As seleções de rugby têm, sim, um escudo próprio. Nenhuma das equipes da Copa do Mundo de 2011 terá apenas uma bandeira no uniforme, mas sim os escudos de suas respectivas federações. No entanto, vale o amor à pátria, vale o “defender o povo”, o respeitar a tradição, o respeito aos adversários e à arbitragem. E vale cantar o hino de seu país, como se fosse um grito de guerra, como um canto para dar força antes de uma batalha.

“Mas a torcida brasileira canta o hino nacional nos jogos.” Sim, a torcida canta. Mas e os jogadores? Jogadores de várias seleções do mundo (principalmente os brasileiros), mal sabem cantar os hinos de seus países. E o que acontece no rugby? Justamente o oposto: mesmo com o escudo das federações no uniforme, vale a bandeira carregada no peito. Vale o hino cantado por cada um deles.

Melhor do que explicações, provas:
Hino Nacional Português: A Portuguesa (*Portugal não é um país de tradição no rugby e esse é um vídeo da primeira – e única, até então – participação portuguesa na Copa do Mundo, em 2007)

Uma das maiores demonstrações de tradição e amor à pátria do rugby não é um hino nacional e, sim, uma dança. O Haka é uma dança tradicional o povo maori, nativo da Nova Zelândia, e realizada pela seleção de rugby local, os All Blacks, antes de todo e qualquer jogo. É uma dança tanto de incentivo a quem faz, quando de intimidação aos adversários. Veja aqui uma demonstração do Haka, antes de um jogo na própria Nova Zelândia.

Agora, imagine você, o belo Hino Nacional Brasileiro cantado em uníssono por um estádio inteiro e, com paixão semelhante, pelos jogadores, antes de uma partida de qualquer esporte. Em nosso cenário atual, é difícil. Mas o rugby pode abrir portas, inclusive algumas fechadas pelo próprio futebol. Basta que resgatemos as tradições, o patriotismo e o respeito.

Antes de vestir um escudo de federação, valem mais as cores da bandeira que ele representa, as tradições que um país carrega ao longo de sua história e o respeito, que deveria ser obrigatório a todos. Vamos abrir os olhos para a Copa do Mundo e ter uma aula: é assim que se pratica um esporte.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Rogério Ceni - antes de tudo, goleiro

Quando a diretoria do São Paulo contratou o jovem Rogério, há 20 anos atrás, junto ao desconhecido Sinop, do estado do Mato Grosso, não imaginava que proporções isso poderia tomar. Talvez nem soubessem que ele batia faltas.

Rogério era reserva de Zetti nas campanhas vitoriosas do Campeonato Brasileiro de 1991 e o bi-Libertadores e bi-Mundial, de 1992-93 e, diferentemente do que se faz hoje – atualmente, os times costumam ir atrás de novos goleiros, em vez de aproveitar os reservas – virou titular do time em 1997, quando Zetti deixou o São Paulo.

Foi no mesmo ano em que o “novo” goleiro do São Paulo avançou da sua meta para bater suas primeiras faltas próximas à grande área dos adversários. E, em 15 de fevereiro de 1997, contra o União São João de Araras, e em sua quarta cobrança, Rogério marcou o seu primeiro gol.

Para o torcedor, uma grata surpresa que, com o passar dos anos, virou uma competição com o goleiro paraguaio Chilavert. O paraguaio já fazia os seus gols de falta, principalmente de pênalti, e encerrou sua carreira com 62 gols.

Desse momento em diante, foram muitos gols, em partidas normais e importantes. No entanto, Rogério nunca deixou de fazer o que sua profissão pede: defender o gol. Tanto que, para muitos, sua melhor atuação foi na final do Mundial de Clubes de 2005, contra o Liverpool. Na ocasião, o goleiro não fez gols, mas evitou e fez uma defesa incrível, em uma falta batida pelo meia Steven Gerrard (veja aqui).

Com o tempo, ele adotou o sobrenome e virou Rogério Ceni e não parou de defender e fazer gols. Porém, nenhum deles foi mais comemorado do que o marcado contra o Corinthians, no dia 27 de março de 2011.

O São Paulo não vencia o rival há quatro anos e, antes da partida, Rogério tinha 99 gols. Foi quando, aos 8 minutos do segundo tempo, o goleiro teve uma oportunidade de entrar, mais ainda, para a história. E entrou. E aconteceu ali, na Arena de Barueri e em pleno ano do Centenário do Timão, o 100º gol de Rogério Ceni, para a alegria dos tricolores e tristeza dos corintianos.

Hoje, Rogério é o jogador com mais atuações pelo São Paulo na história (965) e o maior goleiro artilheiro da história do futebol, com 100 gols. Pelé e Romário – segundo suas contas – fizeram mais de mil, como atacantes. Para um goleiro, a marca dos 100 é equivalente.

No entanto, ao ser comparado com o Rei do Futebol, Ceni foi claro: “Pelé é Pelé. A única coisa que eu sou melhor do que o Pelé é no gol.” Um artilheiro, mas, antes de tudo, um goleiro. O maior goleiro da história do São Paulo, um dos melhores do Brasil e do mundo.

Parabéns, Rogério Ceni.

Ps.: Veja aqui grandes gols da carreira de Rogério Ceni e o centésimo gol, com a narração incrível de Paulo Soares, da Estadão/ESPN)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

13 de fevereiro de 2011: Sem pirâmides invertidas – o adeus de Ronaldo

Mesmo tendo dito que chegaria até o fim de 2011, ele se aposenta, após ter vivido duas das piores temporadas de sua carreira. Uma, se pensarmos que este ano mal começou. Foram doze gols em 27 jogos no ano passado e nenhum gol em quatro partidas em 2011.

Foram duas eliminações da Copa Libertadores da América, em pleno(s) ano(s) de centenário do Corinthians. Mas antes disso, ele havia provado ser capaz de jogar futebol novamente, em 2009. Foi graças a ele que o Corinthians ao menos teve a chance de disputar a competição intercontinental. Graças ao título da Copa do Brasil, que veio quase um mês depois do título paulista, conquistado de forma invicta.

Nesta temporada, de 2009, ele marcou 23 gols, em 38 partidas. Alguns deles, calando seus críticos e alegrando os torcedores, não só os do Corinthians, mas os do bom futebol. No dia 26 de abril de 2009, ele fintou o lateral-esquerdo do Santos, Triguinho, e bateu de cobertura, de fora da área, encobrindo o goleiro Fábio Costa (veja aqui). Dias antes, ele deixou a defesa do São Paulo para trás numa corrida como há muito não se via para marcar o gol da classificação corintiana para as finais, contra o Santos (veja aqui).

Ele havia sido contratado pelo Timão após uma passagem apagada pelo Milan, onde jogou pouco – 20 jogos em duas temporadas – e fez nove gols. Ele ainda estava sendo considerado acima do peso, mas o time italiano confiava nele. Mesmo depois de sua participação na Copa do Mundo de 2006, quando a seleção brasileira foi eliminada nas quartas-de-final, pela França.

Foram três gols em cinco jogos, sendo que no último, contra a seleção de Gana, driblou o goleiro africano e, ao bater para o fundo das redes no Westfalenstadion, na Alemanha, tornou-se o maior artilheiro da história das Copas do Mundo, com 15 gols marcados (veja aqui).

Antes disso, foram cinco temporadas pelo Real Madrid, de 2002 a 2007, nas quais o time se sagrou campeão espanhol justamente em sua primeira e última participações: 2002 e 2007. O clube merengue havia o contratado após ele calar todos os seus críticos na campanha do pentacampeonato brasileiro na Copa do Mundo do Japão e da Coreia, também em 2002.

Para muitos, esse foi um dos melhores anos de sua carreira. Afinal, foi uma incontestável – e inesperada – volta por cima. Oito gols em sete partidas, sendo dois na grande final contra a Alemanha. Além disso, foi responsável pela popularidade do penteado estilo Cascão, que, na época, se tornou tão popular quanto o moicano de Neymar atualmente.

A Copa de 2002 foi uma volta por cima após as três últimas temporadas pela Internazionale de Milão terem sido desastrosas. Não por más atuações, mas por lesões gravíssimas, nos dois joelhos. Na temporada 2000-01, ele nem chegou a jogar. Em 1999-00, até tentou. Voltou à campo contra a Lazio, mas na primeira pedalada que arriscou, foi ao solo (veja aqui).

Outro motivo para 2002 ter sido uma volta por cima, foi a Copa do Mundo de 1998. O Brasil havia perdido um jogo, para a Noruega na fase de grupos, mas chegava extremamente confiante para a final contra a seleção dona da casa: a França. No entanto, minutos antes do jogo no estádio de Saint-Denis, seu nome não estava no time titular do Brasil. Ele havia tido uma convulsão no hotel e não estava passando bem o suficiente para jogar. Mas jogou e o Brasil foi derrotado, por três gols a zero.

Era incontestável que ele deveria jogar. As expectativas criadas em torno dele antes da Copa eram enormes, já que vinha de duas incríveis temporadas, pela Inter, em 1997-98 e a surpreendente 1996-97, pelo Barcelona. Aquela foi a única temporada em que ele jogou pelo clube catalão e a primeira em que ele foi eleito o melhor do mundo pela Fifa. Foi nesta temporada, também, que ele marcou o mais belo gol de sua carreira, contra o Compostela (veja aqui).

Na época, ele recebeu, também, o apelido que levou por toda sua carreira: Fenômeno.

Assim como Romário, ele havia feito o caminho Eindhoven-Barcelona. Foram 67 gols em 71 partidas oficiais pelo PSV, de 1994 a 1996. Fez 30 desses gols em 1994-95, sagrando-se artilheiro do campeonato holandês, com doze gols à frente do centroavante Patrick Kluivert.

Meses antes de estrear pelo PSV Eindhoven, foi convocado para disputar a Copa do Mundo, nos Estados Unidos. Vestiu a camisa 20, nem chegou a entrar em campo, mas viu a equipe ser tetracampeã.

Chegou à seleção brasileira como um centroavante jovem e franzino, de 17 anos de idade. Na época, defendia o Cruzeiro, time pelo qual estreou em 1993, no Campeonato Brasileiro. Jogou 14 partidas e marcou 12 gols, sendo cinco em apenas um jogo, contra o Bahia.

Uma das regras do texto jornalístico é a pirâmide invertida, que diz que a informação mais importante deve ser colocada nos primeiros parágrafos do texto. No entanto, se você leu até aqui, deve ter percebido que este texto não respeitou essa regra e foi escrito de trás para frente. O que deve ser lembrado ao fim da carreira de Ronaldo Luiz Nazário de Lima não é o jogador cansado que disse pensar uma jogada, mas não conseguir executá-la.

Ronaldo é o maior artilheiro das Copas do Mundo, com 15 gols. Marcou mais de 400 vezes pelos sete clubes pelos quais jogou e foi eleito o melhor jogador do mundo em três anos: 1996, 1997 e 2002. O que se espera, é que a imagem do agora ex-jogador seja lembrada pelo que fez e não por aquilo que deixou de fazer.

A carreira de Ronaldo nunca teve pirâmides invertidas, com informações mais importantes. Mas teve, sim, gols que ele nunca parou de fazer e que, depois de 18 anos, quando parou, sentiu a hora de parar, no dia 13 de fevereiro de 2011.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Dançando conforme a música

Nota: não uso as expressões "vexame", "zebra" e “azar do Celso Roth” neste texto.

Alguns dizem que é impossível dançar sem música. Dizem que é necessário ter alguma batida, algum ritmo, alguma sequência de notas musicais para que se possa balançar o esqueleto. Dizem, ainda, que existem regras para dançar, os chamados passos, e que quem não os executa com maestria é um dançarino ruim.

A dança do goleiro Kidiaba tem tudo para se popularizar, se tornar um viral, um símbolo do Mundial de Clubes da FIFA, mesmo que os africanos do Mazembe não terminem a competição como campeões. Podemos dizer que todos se lembram de que o símbolo da última Copa do Mundo de seleções, na África do Sul, foi a vuvuzela, independentemente de os Bafana Bafana ou qualquer outra seleção do continente ter sido campeã.

A torcida africana não parou por um minuto de dançar, pular, cantar e de tocar vuvuzelas, é claro. Já os muitos gaúchos presentes logo ficaram apáticos após o primeiro gol do Mazembe, marcado por Kabangu. E foi exatamente sem música e sem passos coordenados de música que o Internacional de Porto Alegre perdeu e foi eliminado do Mundial de Clubes da FIFA, antes da grande final.

Os gaúchos dançavam conforme a música dos africanos e, depois da (quase) correria em busca do empate, o passo final foi um chute certeiro de Kaluyituka, no canto do goleiro Renan. O placar no Estádio Mohamed Bin Zayed marcava 2x0, aos 40 minutos do segundo tempo, para a frustração da torcida colorada e, podemos dizer, alegria da torcida gremista.

Bjorn Kuipers, o árbitro húngaro, apitou o final do espetáculo nove minutos depois, aos 49. E, o time congolês, que já havia comemorado, e muito, a já surpreendente vitória por 1x0 contra o Pachuca, do México, manteve alegria e comemorou ainda mais. O goleiro Kidiaba repetiu a sua (já característica) dança – e foi acompanhado por um dirigente da equipe, enquanto os outros jogadores corriam pelo campo e dançavam em frente à torcida africana presente. Kaluyituka, autor do segundo gol, tirou sua chuteira direita e não parava de mostrá-la para as câmeras do mundo inteiro.

Mais do que jogadores com cabelos “diferentes”, os africanos do Mazembe provaram para o mundo (para a alegria da FIFA) que não é só de Europa e América do Sul que vive o Mundial de Clubes. Contrariando o que este blogueiro escreveu ontem e o que quase o mundo todo pensava, o time africano pode ser o primeiro campeão não europeu ou sul-americano do Mundial. Agora, o Mazembe aguarda o vencedor de Internazionale de Milão e Yeongnam, da Coreia do Sul.


Não havia música saindo por nenhum dos alto-falantes do estádio de Abu Dhabi, em momento algum da partida entre Internacional e Mazembe. Não houve também regras, ou passos certos. O que se viu nos Emirados Árabes Unidos foi apenas uma prova de que não é impossível dançar sem música e de que não é preciso ser um bom dançarino para ter uma dança famosa. O Internacional que o diga.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Oito vezes campeões, ou não

Atenção, torcedor sãopaulino e flamenguista. Você, que se vangloria das conquistas de seu time, do hexacampeonato brasileiro, terá que tomar cuidado ao ver algum palmeirense ou santista na mesma roda de bar, de hoje em diante. Ou não.

A Confederação Brasileira de Futebol decidiu, hoje, no dia 13 de dezembro de 2010, unificar os títulos da Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa, competições nacionais realizadas de 1959 a 1970. Isso significa que o Fluminense ganhou dois títulos brasileiros em apenas um mês, o de 2010 e o de 1970. Ou não.

Rodrigo Paiva, o assessor de imprensa – e voz – da CBF pediu a todos que esperem. Seu chefe, o presidente da entidade – e do mundo – Ricardo Teixeira, está em viagem de negócios no momento, em Abu Dhabi, no Mundial de Clubes da FIFA. Afinal, a presença dele é imprescindível para o bom andamento do torneio nos Emirados Árabes Unidos.

Aliás, o Mundial só vale a partir de 2000. Será que um dia os outros títulos serão reconhecidos? Vale lembrar que, desde que a FIFA começou a reconhecer os títulos mundiais dos clubes, colocando todos os continentes na disputa, o campeão sempre foi (e dificilmente não será) um europeu ou um sul-americano.

Agora, só precisamos ter um pouco mais de paciência.Tudo depende do sinal de positivo, do “Ok” de Ricardo Teixeira. Basta ele voltar ao Brasil, ou fazer uma ligação para Rodrigo Paiva, dizendo “manda bala”, para que Santos e Palmeiras se tornem oito vezes campeões brasileiros. Ou não.

Imagine, por exemplo, um pai explicando a seu filho, que Pelé jamais foi campeão brasileiro, sendo que o Santos “conquistou” o Brasil seis vezes. Com razão, as torcidas de Santos e Palmeiras fazem a festa. Sem razão, as outras torcidas reclamam. Qual o problema de títulos conquistados em campo serem reconhecidos?

Aparentemente, tudo normal, já que não havia Superior Tribunal de Justiça Desportiva na época. Talvez o problema seja só o tempo. Afinal, demorou 40 anos para que a CBF olhasse para trás e visse que o futebol nacional já existia antes de 1971.

Acho que já éramos tricampeões do mundo em 1970. Ou não?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Rodada de domingo no Brasil

O time vermelho é do Rio Grande do Sul, mas o time azul é mais querido na Região Sul.
Já o time azul é de São Paulo, mas o time vermelho é mais querido na Região Sudeste.

Os dois times se atacam, como num clássico regional. Há mídias a favor de um e mídias a favor do outro. Não há defesa, só ataques.

Para quem eu torço se nem os torcedores locais acreditam em seus times?
Para quem eu torço se a mídia tem opinião, quando não deveria? Aliás, onde está o jornalismo imparcial?

As pessoas fazem propaganda gratuita, divulgando cada um o seu time e atacando o outro, é claro...

...Mas vamos entrar na realidade. Afinal, o mundo não é só feito de futebol.

Dilma é do Rio Grande do Sul, mas Serra vai melhor nas pesquisas eleitorais da Região Sul.
Serra é de São Paulo, mas Dilma vai melhor nas pesquisas eleitorais da Região Sudeste.

Os dois candidatos se atacam, mais do que Corinthians e Palmeiras, Grêmio e Internacional e etc. Há mídias a favor de um e mídias a favor do outro. Não há propostas, só ataques.

Em quem eu voto se nem os eleitores locais acreditam em seus times?
Em quem eu voto se a mídia tem opinião, quando não deveria? Aliás, onde está o jornalismo imparcial?

As pessoas fazem propaganda gratuita, divulgando cada um o seu candidato e atacando o outro, é claro...

Mudou alguma coisa?

Faltam três dias para as eleições e há mais de 10% de eleitores indecisos ou com intenção de voto branco ou nulo. Eleitores, estes, que podem virar o placar atual das pesquisas ou aumentar a vantagem, transformando-a numa goleada.

Mas estamos na realidade. Não estamos falando de futebol, em momento algum, não é mesmo? O time azul e o time vermelho fazem o jogo de domingo, que não é válido pelo Campeonato Brasileiro, que terá rodada finalizada no sábado, mas, sim, pelo Brasil.

Serão mais de 100 milhões de jogadores, sem número certo para cada time. Qual será o resultado?

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Lucros e dividendos no Centenário do Corinthians

Após perder o técnico Adílson Batista no último final de semana na derrota para o Atlético-GO, o Corinthians perdeu mais um jogo, o sexto seguido sem vitória, para o Vasco, por 2x0. Com isso, o time do Parque São Jorge se mantém na terceira posição e não se “aproveita” do jogo a menos que tinha.

A partida realizada hoje foi válida ainda pelo primeiro turno, pela 18ª rodada, juntamente com Santos 1x0 Internacional, pela 13ª. Na ocasião, o time gaúcho estava disputando a Libertadores da América, e viajaria para o México, para o primeiro jogo da final, contra o Chivas. Por isso, o jogo foi adiado.

Já o Corinthians, estava no auge das comemorações pelo seu Centenário – a rodada foi realizada entre os dias 1º, quarta-feira e 2, quinta-feira. Em vez de jogar uma “partida festiva”, com ingressos possivelmente mais baratos e uma festa no estádio, a diretoria de marketing do Timão preferiu armar uma grande festa na virada da noite de terça para quarta-feira, no Vale do Anhangabaú.

Foram mais de cem mil corintianos presentes, sem contar artistas, jogadores e comissão técnica. Um verdadeiro sucesso. No dia seguinte, pela 18ª rodada do Brasileirão, o Corinthians teve uma folga, para se recuperar e/ou curtir mais a festa. Enquanto isso, o Cruzeiro vencia o Flamengo, por 1x0 e o Fluminense empatava com o Palmeiras, por 1x1 – em um jogo dramático, com empate palmeirense nos acréscimos.

Ou seja, os adversários diretos marcaram pontos, enquanto o Corinthians festejava e o torcedor, também. Confira como estava o Brasileirão na época, até a 17ª rodada:

1-Fluminense: 36 pontos
2-Corinthians: 34 pontos
X-Cruzeiro: 19 pontos

Até então, o Cruzeiro era um time em ascensão, enquanto Fluminense e Corinthians brigavam feito cão e gato pela liderança, em uma bela batalha. O Timão folgou na rodada do Centenário, continuou jogando bem e abriu até alguns pontos de vantagem sobre o Tricolor carioca, tudo isso com um jogo a menos.

Voltemos ao dia de hoje, 13/10/2010. O Cruzeiro deixou de ser um time em ascensão, passou pela fase de ser um adversário direto e agora é o líder do campeonato, com dois pontos de vantagem para o segundo colocado, Fluminense, que luta contra os desfalques e o jejum de gols do artilheiro Washington.

O Corinthians começou a “rodada” na terceira posição, com chances de chegar ao primeiro lugar se vencesse o Vasco. No entanto, em melhor momento, o time carioca não deu chances ao paulista, e venceu por 2x0. Desfalcado, sem técnico e sem muito ânimo em campo, o Corinthians não pareceu lutar pelas chances, inclusive.

Cansado pela viagem com a Seleção Brasileira, o destaque do time, Elias, teve atuação apagada. Enquanto isso, outro destaque da campanha corintiana é mais um dos reforços no departamento médico de Itaquera: Bruno César se junta a Dentinho, Jorge Henrique, Ralf e Ronaldo (que disse que vai jogar contra o Guarani, no final de semana). O técnico interino Fábio Carille não teve muitas opções para escalar o time e entrou em campo com Souza e Iarley no ataque, o que não agradou a muitos torcedores.

E se o Corinthians tivesse jogado no dia 1/9? Ronaldo provavelmente não estaria em campo, mas Bruno César, Dentinho, Jorge Henrique, Ralf, Chicão e Elias estariam, em plenas condições, inclusive. Valeu a pena todo o lucro obtido pelo Timão com o Centenário? E o Campeonato Brasileiro, para onde vai, agora que o número de jogos é o mesmo para todos e os resultados próprios não são suficientes para o título?

A vaga na Copa Libertadores da América ainda está próxima, já que Santos e Internacional são, respectivamente, quarto e quinto colocados e já estão dentro da competição intercontinental, graças aos títulos da Copa do Brasil e da própria Libertadores.

A verdade é que desfalcado ou não para o jogo contra o Guarani, as chances do Corinthians contra o Vasco em 1/9 seriam maiores do que foram hoje. A Fiel estaria a postos, apoiando o time e pronta para comemorar o Centenário com uma vitória. Com festa no Anhangabaú no dia 31 de agosto ou não, a festa no estádio seria a mais esperada.

Após o comentário do Presidente Andrés Sanchez para a Rádio Eldorado ESPN, dizendo que não sabe quem é Fábio Carille (veja aqui), hoje, 13/10, a festa mais propícia a ser comemorada é o Halloween, em pleno ano do Centenário.

O que foi maior, o lucro com o Centenário, ou o dividendo da folga, tendo que ser pago bem em época de desfalques e técnico interino?

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Quem não quer a camisa 10?

Nas peladas de final de semana, ela é a mais cobiçada. Com os times já definidos, começa a distribuição das camisetas e a número 10 é a número 1. É aquela que todos querem usar, é aquela que acompanha o craque do time, o destaque. A mais honrosa e a mais disputada. Aliás, não é só nos campinhos de várzea que isso acontece. No futebol profissional, também é assim. Ou era.

Pelé jogava no Santos em 1958, com a 10, mas o mundo não conhecia a sua mágica, até a Copa do Mundo da Suécia. Na época, os jogadores não tinham numeração selecionável e tudo era feito por ordem alfabética, com exceção dos goleiros, que usavam a 1. E do Rei, que na reserva da seleção brasileira, estava com a 10.

Ironia do destino ou não, Pelé nunca mais tirou o manto e apresentou ao Planeta Bola o que era jogar futebol, em 1958, com 17 anos. Foram mais três copas: bicampeonato em 62, contusão em 1966 e o histórico tri, em 70. Edson Arantes do Nascimento ficou conhecido como o maior camisa 10 que o mundo já viu jogar.

Anos depois, um argentino apareceu, usando a camisa 10, logo de cara. Diego Armando Maradona conduziu a seleção argentina ao título mundial de 1986 e fez, no mesmo jogo, dois gols históricos: o mais bonito e o mais escandaloso das Copas. Contra a Inglaterra, Don Diego driblou todo mundo e marcou um gol incrível, além de pego uma sobra na área e socado a bola por cima do goleiro. Era a Mão de Deus.

Maradona é o único que, segundo alguns, pode ser comparado a Pelé. No Brasil, ele é “apenas” o segundo melhor camisa 10 que o mundo já viu jogar, além de motivo de piadas em relação aos seus problemas com drogas.

Portanto, se a camisa 10 é lendária, tem, pelo menos, dois motivos: Pelé e Maradona. Isso, é claro, se não citarmos outros craques pelo mundo, que fizeram história com a 10. Zidane, Matthäus, Platini, Zico e Hagi são alguns exemplos.

Porém, o futebol atual é uma prova de que as coisas não são como eram antigamente. Dos onze times que estão na zona de classificação pra alguma coisa (do Fluminense ao São Paulo), podemos destacar alguns. Os argentinos dão a bola no brasileirão e seguram as camisas 10 com mais maestria. Montillo, pelo Cruzeiro e D’Alessandro, pelo Internacional. Conca usa a 11, mas se comporta como um verdadeiro 10 em campo.

E quem é o 10 do Fluminense? Deco usa a 20, Washington a 9 e Emerson o, 10 original, está machucado, fora do time. No momento, o lendário número estampa a camiseta de Belletti. O contestado lateral foi campeão por onde passou, sempre com uma discrição ímpar. De tão discreto, poucos lembram do gol do título da UEFA Champions League de 2006, marcado pelo jogador, contra o Arsenal. No momento, a 10 do Fluminense, líder do campeonato, está encostada no banco, enquanto o argentino Conca dá show, com a 11.

Para disputar a Libertadores da América de 2010, o Corinthians investiu pesado. Contratou vários jogadores, vários camisas 10, por onde jogaram. Tcheco, Danilo, Iarley e Defederico chegaram a figurar uma reportagem exibida na TV, na qual todos diziam querer  a camisa que Rivelino usava no Timão. Agora, estamos no segundo semestre e Bruno César é o 10 incontestável do Corinthians, após chegar de um ótimo Paulistão pelo humilde Santo André.

Paulo Baier é o dono da camisa 10 e do Atlético-PR. O experiente jogador já jogou na lateral, com a 2, mas hoje é peça fundamental no quinto colocado do Brasileirão. Grêmio e Vasco vivem bom momento e lutam para subir na tabela, como o Furacão e contam com seus 10s, Douglas e Zé Roberto, respectivamente.

O 10 do Palmeiras é o chileno Valdívia, recentemente repatriado que volta a mostrar um futebol melhor do que quando chegou, mas ainda longe de quando saiu, em 2008. Já no Santos, o incontestável dono da 10 está fora do time até o final do ano. Paulo Henrique Ganso tende, também, a ser o 10 de Mano Menezes, na Seleção Brasileira.

No São Paulo, Hernanes saiu do time após a eliminação da Libertadores e deixou a camisa já usada por Raí sem dono. Vejamos a possível escalação do Tricolor para enfrentar o Vitória no domingo, segundo a ESPN: Rogério Ceni (1); Jean (2), Alex Silva (3), Miranda (5) e Diogo (34); Rodrigo Souto (18), Casemiro (29), Marlos (16) e Lucas (37); Fernandinho (12) e Dagoberto (25). Ricardo Oliveira (99) e Fernandão (15) estão fora do time. O São Paulo não tem camisa 10, nem 9 e nem 11.

O Tricolor é um dos times que adota numeração fixa no Brasileirão (Palmeiras e Corinthians são outros exemplos). No entanto, alguns são contra o ato, apelidado de ”NFLização” do futebol brasileiro, devido aos números altos nas camisas dos jogadores. O ataque do Botafogo, por exemplo, é formado por Loco Abreu (13) e Herrera (17). Maicosuel, o armador, usava a 7, antes de se machucar e ficar de fora do resto da temporada. No Palmeiras, Kleber (30) e Ewerthon (88) formam a dupla de frente.

Qual é o problema com a camisa 10? Nos times que a tem, com exceção do Fluminense, o 10 é, sim, o craque do time. E nos times que não tem? Será que os jogadores têm medo de usar a 10, por causa de toda a lenda e mística criada em cima dela? Quem não quer ser um craque?

É claro, camisa 10 não ganha jogo, mas ajuda. Pelé e Maradona que o digam.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Ninguém é maior do que o Santos

Neymar da Silva Santos Júnior nasceu, para a vida, em 1992 e, para o futebol, não muito tempo depois. Aos 14 anos de idade, o jovem já era pauta de reportagens do Esporte Espetacular e outros programas, pois havia a especulação de que o Real Madrid o levaria para jogar no Santiago Bernabéu.

Uma das reportagens mostrava Neymar no estádio, ao lado de seu pai e empresário, e dizia que o menino jogava muita bola, era fora de série e que o time de Madrid já o via em solo espanhol. No entanto, o Santos foi firme, e segurou o menino no Brasil.

Em 2009, aos 17 anos, Neymar estava no time profissional, sob o comando de Vanderlei Luxemburgo. Foi pouco aproveitado e o então técnico do Peixe dizia que o atacante ainda não havia amadurecido. Meses depois, Vanderlei se foi e Neymar ficou.

Veio, então, o ano de 2010. A diretoria do Santos foi bem e contratou o técnico Dorival Júnior, que havia acabado de subir com o Vasco para a Série A do Campeonato Brasileiro. Com Dorival, veio uma mudança, não tão grande, se for levada em conta a história do Santos.

Pelé tinha 17 anos quando despontou para o mundo, em 1958. Em 2002, Robinho tinha 17 e Diego, 16. Em 2010, Neymar e Paulo Henrique Ganso, estavam na média. Se tudo ocorresse como nas outras vezes, estaria formado um time campeão.

O primeiro semestre do ano foi incrível, ninguém bateu o Santos. O time perdeu, sim, alguns jogos, mas nada decisivo, e foi campeão – com sobras – das duas competições que disputou: o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil.

Estava coroada uma nova geração de campeões do Santos, repetindo 1958 e 2002. Só que, como os tempos atuais são outros, logo a nova geração santista começou a se desfazer: Wesley foi para o Werder Bremen e André para o Dinamo Kyiv. Ganso recebeu propostas do Lyon, não suficientes e Neymar, propostas do Chelsea.

Brilhantemente, a diretoria santista recusou a oferta e ofereceu um plano de carreira ao jogador, com benefícios que (muito) poucos jogadores têm em terras brasileiras. Revoltados, os dirigentes do Chelsea disseram que os santistas estavam loucos.

Desde então, tudo mudou. Neymar não desaprendeu o futebol, mas se colocou em um pedestal. O jogador, temido pelos adversários, já era tido como não muito comportado em campo e isso só aumentou. Perdeu pênaltis na Copa do Brasil e no Brasileirão e, com isso, perdeu também o posto de batedor oficial de penalidades do Santos.

Contra o Atlético-GO, Marcel foi o indicado por Dorival Júnior para bater a penalidade. Neymar se revoltou, xingou o treinador, fez cera, driblou inutilmente e, ainda assim, o Santos venceu o jogo, por 4x2.

Como conseqüência pela revolta, Neymar sofreu multa no salário e foi afastado do jogo contra o Guarani. Todos esperavam que ele voltasse contra o Corinthians. Dorival Júnior, não.

O resultado: hoje, 22 de setembro de 2010, o Brasil acordou com uma notícia esportiva nas manchetes: Dorival Júnior foi demitido do Santos. Em nota oficial (clique aqui e veja), o presidente do clube, Luiz Álvaro de Oliveira, explica:

“Considerando que mais de uma vez Dorival Jr. quebrou a hierarquia do clube, a sua permanência ficou insustentável.

Reiteramos que não toleramos atos de indisciplina dos nossos atletas, mas também não podemos concordar que ninguém se julgue maior do que o Santos FC.”

Ninguém é maior do que o Santos. Ouviu, Dorival? Só o Neymar.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O preço e os benefícios de ser o melhor do mundo

Lionel Messi é, indiscutivelmente, o melhor jogador do mundo. O argentino foi autor de 34 gols, em 35 jogos na última temporada pelo Barcelona, isso sem falar no(s) show(s). Na África do Sul, ele tentou, mas não conseguiu furar os bloqueios adversários. Todos os holofotes estavam virados em sua direção e os zagueiros, também.

Começa a temporada 2010-2011 na Europa e um jogador chama a atenção nos campos espanhóis. O nome dele? Messi, obviamente. Em um time cheio de estrelas e base da seleção campeã do mundo, o argentino é o destaque. Imagine aquele time da Espanha que entrou em campo no Soccer City no dia 11/7/2010, com Messi no lugar do apagado Fernando Torres, na ocasião. Esse é o Barcelona.

Após a derrota para o Hércules no primeiro jogo da Liga Espanhola, o Barça mostrou a que veio contra o Panathinaikos, em jogo válido pela UEFA Champions League. Começou perdendo por 1x0, mas virou, e como, para 4x1. Poderia ter sido 5,6,7,8 e por aí vai. Foi um show.

Na oportunidade, Messi marcou dois gols, participou de outro, marcado por Daniel Alves, e ainda se deu ao luxo de perder um pênalti (frustrando os que contam com ele no Fantasy da ESPN Brasil). A cada jogo, surgem mais e mais comparações com Diego Maradona. Inevitáveis, mas o melhor do mundo ainda pode mais, com seus 23 anos.

Na segunda rodada do Campeonato Espanhol, o Barcelona foi a Madrid, enfrentar o Atlético, de Diego Forlán. Messi deixou a sua marca em mais um belo gol, como já vem virando rotina. Os catalães venceram por 2x1, sendo que o gol vitorioso foi marcado pelo zagueiro Pique. No entanto, isso pouco importou.

Com o jogo já ganho, aos 47 do segundo tempo, Messi “recebeu” uma entrada do zagueiro tcheco Tomas Ujfalusi e saiu do campo de maca, chorando. O mundo se assustou, viu uma tragédia e Ujfalusi foi expulso de campo.

Rapidamente, cinco médicos cercaram o argentino, além de praticamente todos os jogadores de Barcelona e Atlético. E do mundo todo. Novamente, todos os holofotes estavam virados em sua direção, mas não com a vontade de vê-lo jogar, mas, sim, com medo.

No entanto, ontem, um dia após o jogo e a lesão, foi constatado que Messi sofreu um leve trauma no tornozelo direito e estará de volta para atormentar as defesas por aí em dez dias. Com isso, o argentino perderá duas partidas do Espanhol, contra Sporting Gijon e Athletic Bilbao.

Hoje, dois dias após o jogo e a lesão, a imprensa espanhola divulga que Ujfalusi pode pegar doze jogos pela entrada em Messi. O técnico do Atlético de Madrid, Quique Flores, disparou: "Sólo pasan estas cosas cuando son Messi o Cristiano los perjudicados." (Via marca.com)

Ex-zagueiro, Flores completou: “Todo acontece así porque es Messi el protagonista. No es una entrada descabellada; sí es dura y sobre todo desfortunada”. O agora técnico conhece seu jogador e sabe (pelo menos acredita) que não há motivos para uma entrada dura, aos 47 do segundo tempo, com o jogo já perdido.

De certa forma, Quique Flores não está errado. Podemos tomar como exemplo o zagueiro Martin Taylor, que atuava pelo Birmingham em 2008 e quebrou a perna do brasileiro-croata Eduardo da Silva, em uma entrada mais do que violenta (veja aqui o lance, incrível).

Enquanto Eduardo foi rapidamente levado a um hospital, praticamente desacordado, e ficou de fora do futebol por um ano, Taylor foi expulso e tomou, apenas, três jogos de suspensão. Eduardo não é o melhor do mundo e não muitos torcedores, além dos do Arsenal na época, se revoltaram contra a punição a Taylor.

Se pensarmos no Brasil, nada se resolve no gramado e, sim, no STJD. É tudo ao contrário, as punições previstas no regulamento, que podem chegar a 120 dias, às vezes, se tornam um jogo ou dois, no máximo, além do pagamento de cestas básicas. Porém, vamos deixar o país do futebol – e do tapetão – de lado, senão isso vira um livro, e voltar ao melhor do mundo.

Messi recebe, sim, os holofotes e paga o preço de ser o melhor do mundo. Joga muito futebol e, por isso, sofre dura marcação, muitas faltas e atormenta os zagueiros, é claro. Tomas Ujfalusi foi apenas mais um a sofrer com o argentino e paga o preço, por também fazê-lo sofrer, podendo ficar de fora de La Liga por doze partidas.

Ser o melhor do mundo também tem os seus benefícios.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Quando o time entra em campo

Quem nunca cabulou uma aula na vida? Com certeza, uma boa porcentagem da população paulistana, ao menos, já praticou tal ato. O que posso dizer é que eu estou nessa contagem, mais de uma vez. No entanto, ontem, talvez tenha sido uma das não-aulas mais produtivas que já tive.

Em várias oportunidades, a Libertadores da América, a Copa do Brasil, o Campeonato Brasileiro e até mesmo a Seleção Brasileira, com seus amistosos e eliminatórias, nos fazem pensar duas vezes antes de entrar/ficar nas aulas. Desta vez, foi diferente, o motivo foi outro.

“Os 100 Melhores Jogadores Brasileiros de Todos os Tempos”. Mais convincente e auto-explicativo que isso, difícil. Mais do que um livro, uma empreitada, assinada por dois autores: um Kfouri e um certo Paulo Coelho. Ou melhor, André Kfouri e Paulo Vinícius Coelho, o PVC.

Parceria da Ediouro com a ESPN Brasil, o livro trata de uma seleção dos melhores, não apenas selecionados por PVC e André, mas pelos fãs de esporte, que votaram pelo portal ESPN.com.br e elegeram 180 jogadores. Destes, 100 foram selecionados pelos dois, com a ajuda de jornalistas renomados do próprio canal e de outros lugares. Vale dizer que o livro conta com um capítulo chamado “Injustiças”, que explica como tudo foi feito.

Poucos países podem se dar ao luxo de ter tantos jogadores bons, suficientes para serem colocados em um livro como o Brasil. Existem, evidentemente, vários bons atletas no mundo afora, Alemanha, Argentina, Itália e muitos outros, por exemplo. Mas só nós podemos eleger uma centena deles e, ainda assim, deixar muitos de fora. Se existe um Top100, em contagem regressiva? Não, não existe. A ordem é muito mais simples: Pelé é o primeiro apresentado e os outros craques estão em ordem alfabética.

A obra foi lançada ontem, 24/8, na Livraria Saraiva do Shopping Morumbi, com direito a uma noite de autógrafos e a um coquetel – com direito a petiscos e champanhe, inclusive. Como crianças ansiosas para entrarem em um estádio pela primeira vez para ver o time do coração, os fãs de esportes aguardavam, em fila, como bons paulistanos, a sua vez de ter o livro assinado, bater uma foto, conversar um pouco.

Humildemente, figuras do jornalismo esportivo nacional também pegaram fila, como Arnaldo Ribeiro, Milton Leite e Rodrigo Bueno. Além deles, José Trajano, diretor de jornalismo da ESPN Brasil, foi breve e, também gentilmente, furou a fila, bateu uma foto com seus dois colaboradores e foi embora, tudo em menos de dois minutos.

Obviamente, este que escreve também estava lá, no terceiro lugar da fila, igualmente como uma criança, esperando a própria vez de receber um autógrafo. Do mesmo jeito que ocorre quando o time entra em campo e o coração bate mais forte, já que a criança vê seus ídolos, jogadores, mais de perto, pode-se dizer que, para um protótipo de jornalista esportivo, o dia 24/8 foi exatamente assim.

Com tantos jornalistas de renome, tão perto, fotos com alguns deles, além da reportagem da ESPN presente e um livro sensacional em mãos, só uma coisa foi mais marcante:

“E aí, André. E aí, PVC. Tudo bem? Meu nome é Luiz, sou estudante de jornalismo e...”
“Ah, Luiz, eu conheço você!”, disse o PVC.

Participei das dinâmicas para integrar o Programa de Estágio da ESPN Brasil no ano passado, mas infelizmente não tive êxito. É algo que lembro quase todos os dias, até hoje, e penso: O que eu errei? Em que fui incapaz? O que eu esqueci? Lembro das palavras do PVC naquele dia, que disse pra ninguém desistir da área esportiva e pra entrar só se realmente gostasse da coisa. E o cara que tudo lembra, lembrou de mim também.

E quebrou o pseudo-discurso que eu tinha montado. E fez com que a aula cabulada tivesse valido (ainda mais) a pena.

domingo, 8 de agosto de 2010

Japão 5 x 4 México

Foi um dos melhores jogos de futebol da história, mesmo sendo apenas um amistoso e entre dois times sem expressão – mas emergentes – no cenário mundial. Os poucos espectadores viram um jogo incrível, com muitos lances, muitos gols e um resultado surpreendente.

Japão e México jogaram no Estádio Internacional de Yokohama, neste último sábado, 7/8, em amistoso pós-Copa, como o que o Brasil terá contra os Estados Unidos na terça-feira, dia 10. Os japoneses levaram a melhor e venceram por 5x4.

Os mexicanos abriram o placar no primeiro tempo, aos 15 minutos, com um gol de Cuauhtemoc Blanco, após falha da zaga em cobrança de escanteio. Sem dar tempo para comemorações, Keiji Tamada recebeu de Abe e empatou o jogo, um minuto depois.

Acredite ou não, todos os outros gols foram no segundo tempo. Novamente, o México começou na frente, com Carlos Vela e, logo em seguida, fez 3x1 com um gol contra de Nakazawa. No momento em que o Japão esboçava uma reação e era melhor no jogo, Bautista, que entrou no segundo tempo, fez o quarto gol mexicano.

A partir de então, o técnico japonês, Takeshi Okada, colocou o time todo para a frente, sem fazer alterações. Os asiáticos adotaram um posicionamento ultra-ofensivo, pressionando na marcação e saindo com muita força para o ataque. O resultado logo veio: Tamada marcou duas vezes: 4x3.

A pressão continuava intensa e o tempo passava. Keisuke Honda roubou uma bola dentro da área mexicana e empatou a partida, com 43 do segundo tempo, deixando o placar da partida em Yokohama em um inacreditável 4x4. No entanto, ainda faltavam dois minutos a serem jogados.

Para o desespero dos mexicanos presentes, logo na saída de bola, Honda roubou mais uma bola e deixou Keiji Tamada na cara do gol. O centroavante não perdoou e marcou seu quarto gol no jogo, quinto do Japão, para o delírio da torcida local. Com 5x4 no placar, o México, que parecia não acreditar no que acontecia, nada pôde fazer e o jogo terminou, para muita festa nas arquibancadas.

Aposto que, agora, você se pergunta: por que ninguém falou deste jogo na televisão, rádio e internet, se foi tão incrível? Quem foram os torcedores (sortudos) presentes no estádio que viram tal partida?

Poderia muito bem ser uma notícia num caderno de esportes, mas é um texto de blog. Poderia ser um jogo real, mas foi apenas uma partida de FIFA World Cup 2010 no videogame. E se isso não fosse dito, quem saberia? Talvez alguém mais informado, apenas, pois saberia todo o cronograma de jogos amistoso pelo mundo.

Mas ok, vamos continuar pensando que foi real, ignorando o parágrafo acima.

Que jogo!